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Esquema com o PCC: Deolane deixa cadeia em SP e é levada para presídio a 670 quilômetros da capital

Influenciadora deixou a Penitenciária de Sant’Ana na madrugada desta sexta-feira após ser presa em operação que apura esquema milionário de lavagem de dinheiro

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A influenciadora e advogada Deolane Bezerra deixou a Penitenciária Feminina de Sant’Ana, na zona Norte de São Paulo, na madrugada desta sexta-feira (22), e foi transferida para a unidade prisional de Tupi Paulista, no interior do estado. A mudança ocorre um dia após a prisão preventiva dela durante uma operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

A transferência foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves. Deolane saiu da capital por volta das 5h da manhã escoltada por agentes do sistema prisional. O destino fica a cerca de 670 quilômetros da capital paulista, em um trajeto que pode ultrapassar sete horas de viagem.

Até então, a influenciadora estava detida na Penitenciária Feminina de Sant’Ana, considerada a maior unidade prisional feminina do estado. Dados da Secretaria de Administração Penitenciária apontam que o presídio opera acima da capacidade prevista para detentas.

A prisão ocorreu na quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente. A investigação apura a atuação de um suposto núcleo financeiro responsável por movimentar recursos atribuídos ao Primeiro Comando da Capital.

Ligada ao PCC

Segundo os investigadores, Deolane teria participação na estrutura financeira investigada pelo Ministério Público de São Paulo. O promotor Lincoln Gakiya afirmou que a influenciadora faria parte da “nova face” do PCC, formada por pessoas sem vínculo formal com a facção, mas que auxiliariam em operações financeiras e lavagem de dinheiro.

De acordo com Gakiya, a apuração identificou relações entre Deolane e pessoas ligadas à cúpula da organização criminosa. O promotor citou proximidade da influenciadora com familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como liderança histórica da facção.

Ainda segundo a investigação, a operação identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis e depósitos bancários que, na avaliação dos investigadores, indicariam ligação operacional com integrantes monitorados pelo Gaeco. Entre os nomes citados aparece Everton de Souza, conhecido como “Player”.

Os investigadores afirmam que comprovantes bancários, conversas extraídas de aparelhos celulares e documentos apreendidos durante outras fases da apuração passaram a conectar a influenciadora ao grupo investigado. A defesa dela ainda não detalhou posicionamento sobre o conteúdo das acusações.

Bilhetes em presídio

A investigação teve início em 2019 após a apreensão de manuscritos e bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. Segundo o Ministério Público, os documentos descreviam ordens internas do PCC e mencionavam uma “mulher da transportadora”, suspeita de auxiliar operações ligadas à facção.

A partir da descoberta, três inquéritos foram instaurados para rastrear a estrutura financeira mencionada nos bilhetes. Um dos braços da investigação chegou à empresa Lopes Lemos Transportes, apontada pelos investigadores como possível instrumento de lavagem de dinheiro.

Durante outra etapa da apuração, chamada Operação Lado a Lado, investigadores apreenderam celulares e documentos que teriam ampliado o elo entre pessoas monitoradas e o núcleo financeiro investigado. Foi nesse material que surgiram registros bancários atribuídos a contas ligadas a Deolane, segundo o Ministério Público.

O caso segue sob responsabilidade do Gaeco de Presidente Prudente e da Polícia Civil de São Paulo. Até o momento, não há definição sobre eventual denúncia formal à Justiça nem prazo para conclusão das investigações.

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