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Fenaj classifica como “censura” decisão que obrigou jornalista a apagar vídeos após ação de prefeito de Belém

Entidade afirma que medida contra Adriano Wilkinson impõe impedimento prévio e fere a liberdade de imprensa

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A Federação Nacional dos Jornalistas afirmou que a decisão judicial que obrigou o jornalista Adriano Wilkinson a remover conteúdos das redes sociais configura censura prévia. A medida foi concedida após ação apresentada pelo prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), e também impede novas manifestações públicas do profissional sobre os mesmos temas.

Para a federação, impedir previamente a divulgação ou o debate de informações de interesse público viola princípios constitucionais que asseguram a liberdade de imprensa e o direito da sociedade de ser informada.

Na posição divulgada, a entidade sustenta que decisões que barram publicações antes mesmo de eventual análise de mérito representam interferência direta na atividade jornalística. A Fenaj informou ainda que acompanha o andamento do caso e os possíveis desdobramentos judiciais.

A ordem determina a retirada imediata de vídeos publicados principalmente no Instagram do jornalista. Os conteúdos traziam críticas à condução da administração municipal, abordavam efeitos da reforma administrativa e discutiam regras da carreira de servidores, com destaque para o magistério.

Também apareciam questionamentos sobre valores divulgados pela prefeitura em relação à remuneração de professores. Parte das análises apresentadas nas publicações relacionava o teto salarial à necessidade de alcançar as últimas referências previstas no plano de progressão.

O material atingido pela decisão mencionava que o novo Estatuto do Magistério prevê até 15 níveis, com intervalo mínimo de três anos entre cada avanço. Na prática, o percurso completo poderia ultrapassar quatro décadas. Essa estrutura foi utilizada pelo jornalista para contextualizar as promessas salariais apresentadas pela gestão.

Comparações com outras redes de ensino também foram feitas, indicando que, embora existam modelos com quantidade semelhante de referências, o tempo médio para chegar ao topo costuma variar e pode ser menor a depender dos critérios adotados.

Além da carreira docente, os vídeos citavam denúncias apresentadas por profissionais da educação e levantavam dúvidas sobre contratos firmados pela prefeitura, entre eles serviços atribuídos à BRA Produtora.

Sindicato estadual acompanha o caso

O Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará reforçou a avaliação da federação e declarou que a medida representa cerceamento ao trabalho da imprensa. A entidade destacou que a Constituição proíbe qualquer forma de censura e garante o livre exercício da atividade jornalística.

Veja também:

Igor Normando troca comando da Educação de Belém em meio à greve dos professores

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