A disputa pela vaga do União Brasil ao Senado em Roraima ganhou um novo capítulo e evidenciou um cenário de tensão interna na legenda. Após a movimentação do ex-governador Antonio Denarium em Brasília para defender o nome da cunhada, a ex-secretária Tânia Soares, a direção estadual do partido reuniu suas lideranças, nesta segunda-feira, 13, e reafirmou que o pastor Isamar Ramalho continua sendo o único pré-candidato oficial ao Senado.
A definição ocorreu durante reunião da executiva estadual, quando o presidente do União Brasil em Roraima, Edilson Damião, reiterou que o partido mantém Isamar como o nome escolhido para disputar uma das vagas ao Senado nas eleições de outubro. Ao mesmo tempo, deixou margem para mudanças, que dependeriam exclusivamente de uma decisão da direção nacional da legenda durante as convenções partidárias.
A posição da executiva estadual ocorre poucos dias após Antonio Denarium (Republicanos) viajar a Brasília acompanhado de Tânia Soares para uma reunião com o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda. A fotografia divulgada nas redes alimentou as especulações de que ele força a candidatura da cunhada ao Senado sem o aval da direção estadual.
A iniciativa foi interpretada por dirigentes do partido como uma antecipação da disputa interna. Em vez de aguardar o período das convenções, Denarium passou a pressionar pela mudança da composição da chapa, colocando em lados opostos a articulação nacional e a decisão construída pelo diretório estadual.
O desgaste ficou ainda mais evidente após declarações do deputado federal Pastor Diniz, vice-presidente do União Brasil em Roraima. Em entrevista, o parlamentar afirmou que o compromisso firmado pela direção nacional era manter apenas um pré-candidato ao Senado no Estado: o pastor Isamar. Diniz afirmou, inclusive, que deixará o partido caso a candidatura de Tânia Soares seja homologada pela executiva nacional.
As manifestações públicas revelam que a disputa deixou os bastidores e passou a expor um racha dentro da legenda. Enquanto Denarium trabalha para emplacar um nome de seu grupo político, a executiva estadual procura demonstrar unidade em torno de Isamar, que também representa um acordo político com lideranças da Assembleia de Deus.
Embora a decisão definitiva só ocorra nas convenções partidárias, previstas para este mês, a antecipação da disputa já produz efeitos políticos. A tentativa de alterar uma definição anunciada pela direção estadual coloca o União Brasil diante de um desafio de manter a coesão interna justamente no momento em que as chapas começam a ser consolidadas.
Essa não é a primeira vez que o ex-governador Antonio Denarium força interferência em outro partido. Em 2026, quando era filiado ao PP, ele lançou como sua candidata a prefeita, a deputada Catarina Guerra pelo União Brasil. O partido já tinha como candidato o deputado federal Nicoletti, que presidia a sigla à época. O resultado foi briga na Justiça e derrota nas urnas.

