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Investimento de R$ 25 milhões em bases fluviais reduz pirataria nos rios do Pará em 55%

As estruturas integram a política estadual de segurança voltada ao combate à criminalidade nos rios, proteção das populações ribeirinhas e garantia do transporte seguro de passageiros e cargas.

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Os investimentos realizados pelo Governo do Pará na implantação de Bases Fluviais Integradas têm contribuído para a redução dos índices de criminalidade nas hidrovias do Estado. Segundo balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), os casos de roubo em rios — prática conhecida como pirataria — apresentaram queda de 55,49% nos últimos cinco anos.

Ao todo, cerca de R$ 25 milhões foram investidos, nos últimos quatro anos, na implantação de três bases instaladas em pontos estratégicos da malha hidroviária paraense. As estruturas integram a política estadual de segurança voltada ao combate à criminalidade nos rios, proteção das populações ribeirinhas e garantia do transporte seguro de passageiros e cargas.

De acordo com os dados da Segup, o Pará registrou 182 ocorrências de pirataria em 2020, envolvendo ataques a embarcações e ações criminosas contra comunidades ribeirinhas. Em 2025, esse número caiu para 81 registros, representando uma redução superior a 55%. Na comparação entre 2024 e 2025, também foi observada diminuição de 10,98% nos casos.

A governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), atribuiu os resultados à intensificação das ações de segurança pública no Estado e ao fortalecimento das operações de combate ao crime.

“Fechamos o primeiro mês de meu governo com o abril menos violento em 16 anos no Pará, com forte redução das mortes por crimes violentos, e temos também deflagrado várias grandes operações que têm mandado um recado claro: o Pará quer paz, e nós não daremos sossego a quem comete crimes nos rios, nas ruas, contra a mulher, em casa, seja onde for. Criminoso não terá paz no meu governo, e seguiremos avançando, porque ainda queremos muito mais na segurança pública”, afirmou a governadora.

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Ed-lin Anselmo, destacou que os investimentos nas bases fluviais fazem parte de uma estratégia permanente de enfrentamento às organizações criminosas e de fortalecimento da segurança nas regiões ribeirinhas. Segundo ele, não houve registro de latrocínio — roubo seguido de morte — nos rios do Pará nos últimos três anos.

“Para se ter ideia, nos últimos três anos, 2023, 2024 e 2025, não foi registrado nenhum latrocínio nos rios”, ressaltou o secretário.

A estratégia começou em 2022 com a entrega da Base Fluvial Antônio Lemos, localizada no distrito de mesmo nome, em Breves, no Arquipélago do Marajó. Em 2024, foi inaugurada a Base Candiru, instalada no estreito de Óbidos, na região do Baixo Amazonas. O reforço mais recente ocorreu neste ano, com a entrega da Base Baixo Tocantins, no município de Abaetetuba.

Moradores de comunidades ribeirinhas relatam maior sensação de segurança após a instalação das estruturas. O pescador Manoel José, de 74 anos, residente próximo à comunidade Santo Antônio, na área da Base Baixo Tocantins, afirmou que a presença policial trouxe mais tranquilidade para os moradores.

“Moro aqui desde que nasci, e a base fluvial trouxe um alívio para mim e para nossas famílias. Eu já perdi duas rabetas, assim como outras pessoas, mas hoje estou mais tranquilo”, relatou.

Outro morador beneficiado, o pescador João Batista, de 50 anos, que vive há mais de duas décadas na comunidade Igarapé Areia, afirmou que a atuação dos chamados “piratas dos rios” diminuiu significativamente na região.

As três bases operam, em média, com equipes compostas por 25 agentes de diferentes forças de segurança, incluindo Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Corpo de Bombeiros e o Grupamento Fluvial de Segurança Pública (GFlu), além de representantes da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) e da Receita Federal.

As operações contam com sete embarcações, sendo quatro blindadas, equipadas com radares, câmeras termais e tecnologia que permite atuação em qualquer horário do dia ou da noite. As bases também dispõem de rádios marítimos, sistemas digitais de monitoramento, câmeras e canais de comunicação direta com comunidades ribeirinhas para recebimento de denúncias.

Segundo a Segup, as três Bases Fluviais Integradas cobrem mais de 260 mil quilômetros quadrados e estão posicionadas em rotas estratégicas de grande circulação de cargas e passageiros, consideradas historicamente vulneráveis à atuação criminosa.

De acordo com Ed-lin Anselmo, a localização das estruturas leva em consideração a importância econômica e logística das regiões atendidas. A Base Baixo Tocantins, por exemplo, está próxima ao Porto de Vila do Conde, um dos principais pontos de exportação do Estado, enquanto a Base Antônio Lemos atua em uma rota de intenso escoamento de mercadorias entre o Rio Amazonas e o Estreito de Breves.

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