A relação entre o senador Ciro Nogueira e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro voltou ao centro do debate político após a nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. Os investigadores apuram suspeitas de vantagens financeiras e patrimoniais supostamente concedidas ao presidente nacional do PP, incluindo viagens internacionais, repasses empresariais e benefícios envolvendo pessoas próximas ao parlamentar.
Documentos e imagens obtidos durante a investigação apontam que Ciro, acompanhado da filha Maria Eduarda Nogueira, esteve em viagens à França e aos Estados Unidos ao lado de Vorcaro e da influenciadora Martha Graeff, então companheira do empresário. Segundo a apuração, parte das despesas teria sido custeada pelo ex-dono do Banco Master, atualmente alvo das investigações federais.
Registros publicados nas redes sociais mostram encontros das famílias em destinos de luxo, como a estação de esqui de Courchevel, nos Alpes franceses, além de passagens por Paris e Nova York entre 2024 e 2025. A Polícia Federal tenta identificar se as viagens mantêm relação com vantagens indevidas investigadas no inquérito.
Além das viagens, a operação também mira a empresa CNFL Empreendimentos Imobiliários, que possui integrantes da família de Ciro Nogueira no quadro societário. Entre os sócios aparecem as filhas Maria Eduarda e Iracema Nogueira, a ex-esposa Eliane Nogueira, além do próprio senador e do irmão Raimundo Nogueira.
Segundo dados da Junta Comercial do Piauí citados na investigação, Maria Eduarda e Eliane concentram a maior parte das cotas da empresa. A PF apura pagamentos realizados por uma companhia ligada a Vorcaro à CNFL e suspeita que os valores possam ter sido utilizados para ocultar supostos benefícios ligados ao esquema investigado.
Defesa fala em perseguição política
Após a operação, Ciro Nogueira divulgou nota pública nas redes sociais afirmando que há uma tentativa de desgastar sua imagem em período pré-eleitoral. O senador declarou que já enfrentou investigações semelhantes em outros pleitos e afirmou que todas acabaram arquivadas posteriormente.
“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, escreveu o parlamentar. Ele também afirmou que seguirá atuando politicamente no Piauí e classificou as acusações como ilações sem fundamento.
Ex-ministro da Casa Civil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Ciro vinha sendo citado nos bastidores como possível nome para compor uma chapa majoritária do PL nas eleições de 2026. Após a operação, no entanto, o PP cancelou um evento que formalizaria apoio à pré-candidatura do governador Tarcísio de Freitas à reeleição em São Paulo.
Nos bastidores, aliados do partido avaliam que a nova fase da investigação deve ampliar a pressão política sobre o senador e provocar desdobramentos no cenário eleitoral nacional.


