InícioParáJustiça suspende reintegração em área ocupada pelo MST em Marabá

Justiça suspende reintegração em área ocupada pelo MST em Marabá

Incra sustenta que Fazenda Entre Rios pertence à União, enquanto produtores rurais cobram retirada das famílias acampadas

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A Justiça suspendeu por 30 dias o processo de reintegração de posse envolvendo a ocupação da Fazenda Entre Rios, na zona rural de Marabá, sudeste do Pará. A decisão foi tomada durante audiência de conciliação realizada nesta quinta-feira (7), em Parauapebas, após impasse entre representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e produtores rurais.

O encontro reuniu integrantes do MST, fazendeiros, forças de segurança e órgãos públicos. Sem acordo sobre a retirada imediata das famílias, a Vara Agrária de Marabá determinou diligências junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), à Secretaria de Meio Ambiente do Pará e ao Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.

Durante o período de suspensão, o MST não poderá ampliar a ocupação nem aumentar o número de famílias no local. Já os proprietários ficaram impedidos de realizar bloqueios ou interferências na área atualmente ocupada.

Disputa da área

O MST sustenta que a Fazenda Entre Rios integra o assentamento Maria Glória, criado por portaria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicada em dezembro de 2025. Segundo o movimento, a área pertence à União e o processo deveria tramitar na Justiça Federal.

“O que está sendo discutido aqui é uma área federal”, afirmou ao Grupo Correio de Carajás o coordenador estadual do MST no Pará, Jorge Neres.

A tese também é defendida pelo Ministério Público Federal (MPF), que aponta que o imóvel integra terras públicas federais da Gleba Itacaiúnas.

Fazendeiros pedem retirada

Produtores rurais defenderam a reintegração de posse e alegaram que a fazenda possui matrícula regularizada. A presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Parauapebas, Graziela Adame Ribeiro, afirmou que a propriedade pertence à família Miranda.

Segundo ela, parte da ocupação ocorreu em área de reserva ambiental da fazenda.

A audiência contou ainda com acompanhamento da Polícia Civil do Pará, por meio da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca), que monitora o caso para evitar confrontos entre as partes.

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