O Produto Interno Bruto (PIB) do Pará alcançou R$ 69,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mantendo participação estável de 2,1% na economia brasileira, cujo PIB somou R$ 3,25 trilhões no período. Os dados são do Boletim do PIB Trimestral divulgado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).
Segundo o levantamento, os setores de Serviços e Agropecuária foram os principais responsáveis por sustentar a atividade econômica do Estado no início do ano, compensando parte dos impactos provocados pela retração da indústria extrativa mineral.
O setor de Serviços respondeu pelo maior volume da economia paraense, movimentando R$ 37,4 bilhões. Já a Agropecuária registrou R$ 9,9 bilhões e respondeu por 4,3% de toda a produção agropecuária nacional. A indústria extrativa mineral permaneceu como um dos principais segmentos do Estado, representando 7,4% da produção brasileira do setor.
Crescimento frente ao trimestre anterior
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o PIB paraense apresentou crescimento de 0,34%, abaixo da expansão de 1,10% registrada pelo Brasil.
A Agropecuária foi o destaque positivo, com alta de 6,24%, superando o desempenho nacional de 2,03%. O avanço foi impulsionado pelo fortalecimento da pecuária e pela valorização dos preços do setor.
O segmento de Serviços também apresentou resultado positivo, crescendo 2,28%, acima da média nacional de 0,48%, com expansão em praticamente todas as atividades econômicas.
Em contrapartida, a Indústria registrou retração de 3,09%, influenciada principalmente pela redução da produção e dos estoques de minério de ferro.
Comparação com o mesmo período de 2025
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB do Pará recuou 0,84%, enquanto a economia brasileira cresceu 1,84%.
De acordo com a Fapespa, o desempenho foi impactado pela forte dependência da indústria extrativa mineral. O setor industrial apresentou retração de 13,94%, refletindo a queda na extração de minérios e o desempenho negativo de outras atividades industriais.
A Agropecuária permaneceu praticamente estável, com variação de -0,03%, influenciada pelas irregularidades climáticas que afetaram parte da produção agrícola.
Apesar desse cenário, o setor de Serviços manteve trajetória de crescimento e avançou 4,77%, mais que o dobro da média nacional, de 2,14%.
Pecuária e serviços impulsionam economia
Entre as atividades agropecuárias, destacaram-se os aumentos na produção de mandioca (+3%), banana (+6,1%) e cacau (+5,5%). O principal destaque, porém, foi a pecuária, que cresceu 20%, impulsionada pelo aumento das exportações de carne bovina e pela valorização do boi gordo.
No setor de Serviços, o maior crescimento foi registrado nas atividades imobiliárias, com alta de 19,28%, seguidas por outros serviços (+6,05%) e informação e comunicação (+5,10%). O comércio e os serviços de manutenção avançaram 1,14%.
O desempenho do segmento também refletiu no mercado de trabalho. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Pará criou saldo positivo de 7.036 empregos formais no primeiro trimestre de 2026.
Fapespa destaca resiliência da economia
Para a diretora de Estatística e de Tecnologia e Gestão da Informação da Fapespa, Atyliana Dias, os resultados demonstram a capacidade de reação da economia estadual mesmo diante da retração da indústria mineral.
Segundo ela, o setor de Serviços segue impulsionando a geração de emprego e renda, enquanto o desempenho da Agropecuária, especialmente da pecuária, contribuiu para manter a estabilidade da atividade econômica.
O presidente da Fapespa, Marcel Botelho, destacou que o principal indicador do estudo é a estabilidade do PIB paraense ao longo dos últimos anos. Para ele, esse comportamento é resultado das políticas estruturantes implementadas pelo Governo do Estado e reforça a sustentabilidade do crescimento econômico do Pará.

