Em vídeo enigmático, publicado nas redes sociais nesta segunda-feira, 11, o ex-governador de Roraima, Edilson Damião (União Brasil), movimentou os bastidores políticos do Estado e ampliou as especulações sobre o cenário da eleição suplementar para o Governo. Sem citar nomes, Damião falou sobre “traição”, quebra de acordos e abandono de alianças, em uma mensagem interpretada por aliados e adversários como uma indireta direcionada a personagens centrais da atual disputa política.
“Na política, a traição nunca atinge apenas quem foi traído. Ela destrói a confiança de um povo inteiro. Quando acordos são quebrados, promessas abandonadas e alianças trocadas por interesses pessoais, quem paga a conta é a população”, desabafou.
Na sequência, Damião reforçou o tom crítico ao afirmar que “a reputação de um líder não se constrói apenas com discursos, mas com lealdade, coerência e respeito” e que “quando a política perde a honra, o povo perde a esperança”.
A manifestação ocorre em meio a um momento de forte instabilidade institucional em Roraima, após o Tribunal Superior Eleitoral cassar o mandato de Damião e tornar o ex-governador Antonio Denarium inelegível por oito anos, sob acusação de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A decisão determinou a realização de eleição suplementar direta no Estado.
O desabafo também ocorreu após o apoio público do deputado estadual Lucas Souza, do mesmo partido que Damião e sobrinho do ex-governador Antonio Denarium (Republicanos), ao ex-prefeito de Boa Vista Arthur Henrique na Eleição Suplementar para o Governo de Roraima.
Com a saída da chapa do Executivo, o presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio, assumiu interinamente o Governo do Estado até a realização do novo pleito, marcado pelo TRE-RR para o dia 21 de junho.
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Indireta para Denarium ou Sampaio?
Nos bastidores, a mensagem de Edilson Damião é interpretada de duas formas.
A primeira leitura aponta para um possível recado ao ex-governador Antonio Denarium, de quem Damião foi aliado político e vice-governador durante a gestão iniciada em 2023. O rompimento entre ambos teria se intensificado após a crise institucional provocada pelo julgamento do TSE e pelas divergências sobre os rumos da eleição suplementar. Apesar da parceria política construída nos últimos anos, interlocutores avaliam que o ex-governador pode ter se sentido isolado diante das articulações do grupo político após sua cassação.
Outra interpretação circula no meio político e mira Soldado Sampaio. Isso porque, desde que assumiu o Governo interinamente, o presidente da Assembleia tem ampliado o protagonismo político e passou a ser citado como peça importante nas articulações da sucessão estadual. Há leituras de que a publicação poderia representar um desconforto de Damião com movimentos recentes de antigos aliados no tabuleiro político.
Embora tenha sido cassado pelo TSE junto à chapa vencedora de 2022, Damião não foi declarado inelegível pela Corte, já que os ministros entenderam não haver provas suficientes de sua participação direta nas irregularidades apontadas no processo. Isso mantém, em tese, sua elegibilidade política, ampliando especulações sobre eventual participação nas próximas disputas eleitorais.
Ações na Justiça tentam abrir caminho para eleição indireta
Após a cassação da chapa governista, surgiram discussões jurídicas sobre a possibilidade de Roraima realizar uma eleição indireta — definida pela Assembleia Legislativa — em vez do voto popular. Um dos partidos que ingressou com ação na Justiça por eleição indireta é o Republicanos, do governador interino Soldado Sampaio.


