A Justiça de Roraima revogou as últimas prisões preventivas ligadas à Operação Mantus, investigação que apura um suposto esquema milionário envolvendo divulgação de plataformas ilegais de apostas online, lavagem de dinheiro e uso de influenciadores digitais para atrair apostadores no Estado. A decisão alcança Dione dos Santos da Silva e Gildázio Sobrinho Santos Cardozo, que eram os únicos investigados ainda mantidos presos desde a deflagração da operação.
A medida foi assinada neste domingo (11) pela juíza Daniela Schirato, da Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas de Boa Vista, após manifestação favorável do Ministério Público. Com isso, todos os investigados passam a responder ao processo em liberdade, mas sob cumprimento de uma série de medidas cautelares determinadas pela Justiça.
Deflagrada no dia 27 de abril pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), a Operação Mantus mirou influenciadores e empresários suspeitos de promover o chamado “jogo do tigrinho” e outras plataformas de apostas consideradas ilegais. Segundo a Polícia Civil, o grupo teria movimentado cerca de R$ 260 milhões em dois anos, valor considerado incompatível com os rendimentos declarados pelos investigados.
Durante a ofensiva policial, foram cumpridos mandados de prisão, buscas e apreensões, além do bloqueio de até R$ 68 milhões em contas bancárias e aplicações financeiras. A investigação também resultou no sequestro de bens móveis e imóveis ligados aos alvos da operação. Em uma das ações realizadas no bairro Caçari, um empresário chegou a ser preso em flagrante por posse de munições.
Medidas cautelares
Apesar da soltura, a Justiça manteve restrições severas aos investigados. Entre as determinações estão o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar no período noturno, comparecimento mensal em juízo e proibição de deixar a comarca sem autorização judicial.
A magistrada também proibiu os investigados de utilizarem redes sociais para divulgar jogos de azar ou criarem novos perfis digitais até o encerramento da instrução processual. A decisão vale ainda para Adrielly Vivianny Araújo da Silva, Raniely Silva Carvalho, Amanda Lourenço Faria, Vitória Reis, Laís Ramos Alencar e Patrik Adhan dos Santos Ribeiro, que já haviam conseguido anteriormente a substituição das prisões por medidas cautelares.
As investigações começaram em setembro de 2024 e se estenderam por cerca de 18 meses, segundo o delegado Eduardo Patrício, responsável pelo caso. A Polícia Civil sustenta que os investigados utilizavam forte alcance nas redes sociais para estimular seguidores a aderirem às plataformas de apostas com promessas de ganhos rápidos e lucros elevados.
Defesa fala em “verdade real”
Após a decisão judicial, o advogado Gustavo Hugo de Andrade, responsável pela defesa de Adrielly, Dione e Patrick, afirmou que a concessão da liberdade provisória reforça a confiança da defesa no andamento do processo e na produção de provas técnicas.
“A defesa comemora a concessão da liberdade provisória dos meus clientes. E aguarda o deferimento da prova cautelar, que provará a ausência de fraudes, bem como dos outros crimes investigados, o que contribuirá substancialmente com as investigações e a verdade real”, declarou.
O advogado também afirmou que pretende buscar responsabilização criminal e civil contra páginas e perfis que, segundo ele, divulgaram informações falsas e ofensivas envolvendo os investigados durante a repercussão da operação.


