O Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou a manutenção das prisões preventivas de Cleusimar Cardoso e Ademar Farias Cardoso Neto, mãe e irmão da ex-sinhazinha Djidja Cardoso.
Em decisões sucessivas, o ministro Sebastião Reis Júnior negou os pedidos de soltura protocolados pela defesa do núcleo familiar. O magistrado indeferiu a liminar de Ademar na última terça-feira (5) e, apenas um dia depois, nesta quarta-feira (6), confirmou a permanência de Cleusimar no sistema prisional amazonense.
A defesa dos réus sustenta que os acusados sofrem constrangimento ilegal devido a uma paralisação relevante na tramitação da ação penal em Manaus. De acordo com os advogados, o feito estaria estagnado há aproximadamente 153 dias após a anulação de uma sentença prévia, o que feriria o princípio da razoável duração do processo. O ministro, no entanto, destacou a necessidade de obter informações oficiais da 3ª Vara de Delitos de Tráfico de Drogas antes de analisar o mérito dos pedidos.
Cleusimar e Ademar estão detidos desde o final de maio de 2024, sob graves acusações de tráfico de drogas e associação para o tráfico. O grupo é apontado como responsável pela comercialização e uso ritualístico de cetamina, substância anestésica que teria desencadeado a crise familiar e a morte de Djidja. Para o magistrado, a controvérsia sobre o excesso de prazo exige um juízo preciso sobre as fases da ação penal e as medidas cautelares aplicadas até o momento.
Vigilância processual
O ministro Sebastião Reis Júnior também determinou que a Justiça do Amazonas informe detalhadamente todos os atos praticados no processo após o dia 7 de abril de 2026. A intenção é verificar se houve alguma decisão superveniente ou se a alegada demora possui justificativa legal diante da complexidade do caso. Enquanto as informações não são complementadas pela origem, o STJ considerou prudente não avançar sobre a soltura dos investigados, mantendo o rigor adotado desde o início da operação.
A decisão repercute diretamente no cenário jurídico amazonense, onde o caso “Djidja Cardoso” segue como um dos mais emblemáticos dos últimos anos por envolver figuras ligadas ao folclore local. O Ministério Público sustenta que a rede de distribuição de drogas operada pela família representava um risco contínuo à saúde pública e à ordem social. Com os pedidos negados nesta semana, os réus seguem aguardando o julgamento final do mérito do habeas corpus em regime de reclusão.


