O campus Guamá da Universidade Federal do Pará (UFPA) amanheceu com acessos interditados nesta quinta-feira, durante o “Dia Nacional de Luta”. Técnicos administrativos da instituição fecharam os portões 3 e 4, impedindo a circulação de carros e motocicletas em Belém. O bloqueio é uma resposta drástica ao que os servidores chamam de silêncio do governo federal sobre os compromissos firmados ainda no ano passado.
A mobilização paraense integra um movimento robusto que atinge 55 universidades brasileiras, organizado pela federação nacional da categoria, a Fasubra. No Pará, além da UFPA, trabalhadores da UFOPA e da Unifesspa também aderiram ao protesto para pressionar Brasília. A categoria cobra o cumprimento imediato de 18 itens específicos que constam no Termo de Acordo assinado ao final da greve ocorrida em 2024.
O coordenador geral do Sindtifes-PA, Felipe Melo, destacou que a falta de diálogo empurrou os servidores para essa nova fase de enfrentamento público.
“É inadmissível que, depois de mais de 70 dias, o governo se negue a abrir negociações e a cumprir itens acordados ainda na greve passada”, afirmou o dirigente sindical. Segundo ele, o movimento não retrocederá enquanto canais oficiais de conversa não forem restabelecidos com o Ministério da Educação.
Pedidos da categoria
Entre as reivindicações centrais do grupo está a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para ativos e aposentados da rede federal. Os técnicos também exigem a regulamentação imediata da jornada de 30 horas semanais e normas claras para plantões em hospitais universitários. A pauta inclui ainda a denúncia contra o sucateamento das unidades e os sucessivos cortes orçamentários que asfixiam o ensino superior.
A greve segue por tempo indeterminado em todo o território nacional, sem previsão de desbloqueio total das atividades administrativas nos campi afetados. Os manifestantes alegam que a precarização do trabalho compromete o funcionamento básico das instituições e o atendimento à comunidade. Até o momento, o Ministério da Gestão e da Inovação não apresentou uma nova proposta oficial para encerrar o impasse que já dura mais de dois meses.


