O sentimento de insegurança tomou conta da família de William Silva. Junto à esposa e três filhos, o administrador vive um dos momentos mais difíceis de sua vida após descobrir que o imóvel, onde reside desde 2018 foi alvo de um processo de adjudicação compulsória extrajudicial conduzido pelo 6º Ofício de Registro de Imóveis, que tem como titular da serventia, Aníbal Resende, com a participação do 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos de Manaus e da empresa Tintão Tintas e Materiais de Construção Ltda.
A família ainda desconhece os motivos que levaram à transferência sem aviso do bem e enfrenta prejuízos emocionais, financeiros e jurídicos enquanto busca mudar a situação na Justiça. Com a casa tendo de ser desocupada às pressas, o administrador teme prejuízos ainda maiores ao bem mais precioso: a família.
“É um problema do tipo que nunca achamos que vá acontecer conosco. Era a minha casa, onde eu vivia com minha família e, agora, tenho que me desfazer por motivos que não me foram repassados, pois, em nenhum momento, o cartório apresentou justificativas para a adjudicação. É um momento que nem nos piores filmes, imaginei vivenciar isto com a minha família”, afirmou o administrador.
Busca de explicações
De acordo com William, a notícia foi recebida com surpresa e provocou um transtorno que ele classifica como imensurável. O administrador relata que procurou órgãos públicos, como o cartório e a Prefeitura, em busca de esclarecimentos, mas afirma que não obteve informações sobre as razões que resultaram na adjudicação do imóvel.
Além das consequências legais, o administrador destaca os impactos emocionais sofridos pela família. Segundo ele, a casa representava a realização de um sonho e havia sido planejada para oferecer estabilidade, conforto e segurança à esposa e aos três filhos. A possibilidade de perder o imóvel, porém, resultou em uma preocupação constante na rotina de cinco pessoas.
William diz que o objetivo da família é resolver o caso pelos métodos legais para evitar prejuízos ainda maiores. “É uma insegurança sem tamanho. Estamos fazendo de tudo, dentro das competências legais, para que isso se resolva da melhor maneira possível e não ocorram outros danos irreparáveis”, afirmou.
Motivações desconhecidas
Ao comentar as possíveis motivações para o caso, William afirma que não consegue apontar uma razão específica para a adjudicação do imóvel. No entanto, ele diz ter identificado outros processos semelhantes envolvendo o mesmo cartório e menciona que há registros públicos de ações da mesma natureza.
Além disso, mais denúncias relacionadas ao caso continuam surgindo. O administrador também afirma que, mesmo após a repercussão do caso na imprensa local, não houve qualquer contato por parte dos envolvidos.
William disse acreditar que a ausência de uma manifestação por parte do 6º Ofício de Registro de Imóveis esteja relacionada ao fato de que a situação não seria um episódio isolado. Questionado sobre o cartório e seu titular, William não cita uma motivação específica.
“Há vários casos referentes à mesma pessoa, ao mesmo cartório. Podemos dizer que se trata de uma organização extremamente perigosa, que pode ter outros meios que prejudiquem pessoas, cidadãos de bem”, declarou.
Informações averiguadas
Atualmente, a família aguarda o andamento do processo judicial. Segundo William, a expectativa é de que a Justiça esclareça os fatos e analise todas as informações técnicas relacionadas ao caso.
“Já entramos na Justiça e estamos aguardando todo o rito processual. Há muita informação técnica a ser averiguada. Além disso, muitas coisas tramitam em segredo de justiça e não podemos dar tantos esclarecimentos sobre o assunto”, concluiu.

