O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve desembarcar em Pequim na próxima quarta-feira (13) para uma agenda considerada decisiva na relação entre Washington e Pequim. A visita marca o primeiro encontro presencial de Trump com o presidente chinês Xi Jinping em mais de seis meses e acontece em um cenário de tensão internacional envolvendo comércio, tecnologia, guerra no Oriente Médio e disputas geopolíticas na Ásia.
As conversas entre os dois líderes estão previstas para ocorrer entre quinta-feira (14) e sexta-feira (15), com uma pauta que inclui temas sensíveis como o avanço da inteligência artificial, armas nucleares, minerais estratégicos, Taiwan e o papel chinês na crise envolvendo o Irã. O encontro também deve servir para tentar estabilizar a relação entre as duas maiores economias do planeta após meses de desgaste diplomático.
Nos bastidores, autoridades americanas admitem que a Casa Branca busca ampliar canais de diálogo com Pequim em áreas consideradas estratégicas. Entre elas, está a manutenção do acordo comercial envolvendo o fornecimento de minerais de terras raras chinesas para os Estados Unidos, insumos considerados fundamentais para a indústria tecnológica e militar americana.
A expectativa do governo Trump é anunciar mecanismos permanentes de negociação econômica durante a viagem. Entre as possibilidades discutidas estão a criação de um Conselho de Comércio e de um Conselho de Investimentos entre os dois países, além da ampliação de compras chinesas de produtos americanos ligados aos setores agrícola, energético e aeronáutico, incluindo negociações envolvendo a fabricante Boeing.
Irã e Taiwan
A reunião entre Trump e Xi também ocorre em meio à escalada envolvendo o Irã após ataques militares atribuídos aos Estados Unidos e Israel no início deste ano. Washington tenta usar a influência chinesa sobre Teerã para pressionar o governo iraniano a negociar um novo acordo e reduzir a tensão no Oriente Médio.
A China, por sua vez, mantém relações estratégicas com o Irã e continua sendo uma das principais compradoras de petróleo iraniano. O tema deve ocupar parte central das discussões reservadas entre os dois presidentes.
Outro ponto considerado delicado será Taiwan. O governo chinês mantém pressão crescente sobre a ilha, que Pequim considera parte de seu território. Nos últimos anos, a presença militar chinesa na região aumentou, enquanto os Estados Unidos seguem como principal fornecedor internacional de armamentos para Taiwan.
Segundo integrantes do governo americano, a posição oficial dos EUA sobre a ilha não deve sofrer alterações, mesmo diante da insatisfação chinesa com o apoio militar e diplomático prestado pelos americanos aos taiwaneses.
IA e armas nucleares
O avanço acelerado da inteligência artificial desenvolvida pela China também deve entrar nas conversas bilaterais. Assessores ligados ao governo Trump defendem a criação de um canal permanente de comunicação entre os dois países para evitar crises ou disputas envolvendo o uso militar e estratégico dessas tecnologias.
Além disso, Washington tenta abrir diálogo sobre armas nucleares e controle de arsenais, embora autoridades chinesas tenham sinalizado recentemente que Pequim não demonstra interesse em iniciar negociações formais sobre o tema neste momento.
A viagem de Trump à China será a primeira desde 2017 e acontece em um período considerado decisivo para a reorganização das relações diplomáticas globais, num cenário em que comércio, segurança internacional e tecnologia passaram a caminhar diretamente ligados às disputas políticas entre Washington e Pequim.


