A Universidade Federal do Amazonas classificou como ataque à autonomia universitária após confusão registrada durante a visita do vereador Coronel Rosses ao campus da instituição, em Manaus. Em nota divulgada, o Conselho Universitário da UFAM afirmou que houve tentativa de intimidação dentro dos espaços acadêmicos e associou à práticas de violência política.
A confusão ocorreu na terça-feira (5), em áreas do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) e da Faculdade de Educação (FACED). Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram discussões entre o parlamentar, estudantes e o professor e sociólogo Luiz Antônio Nascimento de Souza.
Em nota oficial, o Conselho Universitário afirmou que os acontecimentos representam “agressão direta aos pilares do Estado Democrático de Direito e à autonomia universitária”.
“Não toleraremos que a força ou o cerceamento substituam o diálogo ético e o confronto democrático de ideías. Discursos de ódio, agressões e qualquer forma de censura são inaceitáveis e ferem os princíplos fundamentais que sustentam esta instituição”, diz trecho da nota da Ufam.
Segundo relatos de testemunhas, durante o debate, Coronel Rosses elevou o tom de voz e apontou o dedo em direção ao docente, enquanto estudantes reagiam com manifestações e vaias. A presença de pessoas que acompanhavam o vereador também gerou clima de tensão dentro da universidade.
Veja:
Conselho não aceitará intimidações
No posicionamento, o CONSUNI declarou que a Constituição Federal assegura liberdade de ensino, pesquisa e divulgação do pensamento dentro das universidades públicas, além da autonomia administrativa e didático-científica das instituições.
“Atos que tentam silenciar ou constranger o pensamento crítico são, portanto, legais e antipedagógicos. O Estatuto da UFAM define como sua finalidade cultivar o saber e estimular o desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo, sem discriminação de qualquer natureza”, informa o documento.
Confira:
O conselho também saiu em defesa do professor envolvido na discussão e dos estudantes presentes no local. Segundo a nota, a UFAM “não permitirá que forças externas vilipendiem a liberdade acadêmica ou tentem transformar a Universidade em arena de vandalismo e intolerância”.
Ainda conforme a instituição, medidas legais poderão ser adotadas para garantir a segurança da comunidade acadêmica e preservar o funcionamento das atividades universitárias.
Resposta do Coronel Rosses
Em resposta às críticas, o vereador Coronel Rosses utilizou suas redes sociais para rebater as acusações de violência e criticar o uso de recursos públicos no campus. O parlamentar afirmou que o movimento de direita no local foi uma reação à suposta defesa de atos terroristas e pedidos de assassinato contra políticos conservadores. Segundo ele, é inadmissível que impostos financiem cartazes de ódio dentro de uma instituição de ensino.
O vereador declarou ter orgulho de seu posicionamento político e acusou membros da comunidade acadêmica de perseguirem servidores e ameaçarem até professoras grávidas.
“Não sou conivente com quem usa dinheiro público para defender terrorista e anda de mãos dadas com político fichado”, disparou Rosses em seu pronunciamento.
Reitoria abre apuração
Além do Conselho Universitário, a Reitoria da UFAM também divulgou posicionamento oficial após a repercussão do caso. A administração da universidade afirmou que o ambiente acadêmico deve permanecer como espaço de pluralidade e livre debate de ideias.
A nota acrescenta que discursos de ódio, agressões e tentativas de censura não serão tolerados pela instituição. Segundo a Reitoria, procedimentos administrativos já foram iniciados para identificar responsabilidades e apurar possíveis irregularidades relacionadas ao episódio.
“A apuração administrativa focará na identificação dos responsáveis e na análise de condutas que desrespeitem a dignidade humana ou atentem contra a integridade institucional”, informou a universidade.
A gestão também afirmou que poderá acionar autoridades competentes diante de possíveis violações e reforçou que seguirá atuando na defesa da liberdade acadêmica e da segurança da comunidade universitária.
Veja a nota:






