A empresária Maria do Carmo Seffair, de 66 anos, candidata derrotada pelo PL na disputa pelo Governo do Amazonas, foi alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (6), em sua residência, no bairro Nossa Senhora das Graças, zona centro-sul de Manaus.
A operação faz parte de uma investigação sobre a divulgação, durante a campanha eleitoral de 2026, de vídeos nas redes sociais da empresária que associavam o senador e governador eleito Omar Aziz (PSD) a acusações de pedofilia e utilizavam a imagem da filha dele, que é menor de idade. A apuração busca esclarecer possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A investigação teve origem em uma notícia-crime apresentada por Omar Aziz. Maria do Carmo havia obtido um habeas corpus em 30 de outubro para impedir a realização das buscas, mas a ordem judicial foi restabelecida posteriormente.
Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação, a equipe policial chegou ao imóvel nas primeiras horas da manhã e encontrou resistência para entrar. A presença dos advogados da empresária também provocou discussões e atrasos durante o cumprimento da ordem.
Em declaração sobre a operação, o delegado afirmou que, apesar dos entraves, os policiais conseguiram realizar a busca em todos os cômodos da residência.
Durante a diligência, foram revistados gavetas, um cofre e outros pertences. Os agentes apreenderam equipamentos eletrônicos, entre eles um computador pessoal e um telefone celular, que serão submetidos à extração e análise de dados.
“Uma parte dessa investigação apura se a Maria do Carmo efetivamente participou e qual foi o nível de participação dela. Essa postagem foi feita na rede social dela mesmo, então presume-se que ela em algum momento validou esse material e permitiu que esse material fosse postado”, declarou Marcelo Martins.
O delegado também informou que a polícia investiga a possibilidade de ocultação ou apagamento de provas antes da chegada dos agentes. Segundo ele, um vídeo publicado pela própria empresária, no qual ela ironizava a realização da diligência e dizia estar aguardando a chegada da polícia, também será considerado na apuração.
A Polícia Civil informou que a análise dos equipamentos apreendidos deverá contribuir para esclarecer a participação da empresária na produção e divulgação dos conteúdos investigados.
Defesa denuncia perseguição política
Em nota, a assessoria jurídica de Maria do Carmo manifestou indignação com a busca e apreensão realizada na residência da empresária. A defesa classificou a operação como uma escalada de perseguição política e apontou supostos abusos de autoridade durante o cumprimento da ordem judicial.
Os advogados também sustentaram que garantias legais e prerrogativas da advocacia não teriam sido respeitadas. A manifestação criticou ainda os vazamentos de informações de um procedimento que, segundo a defesa, tramita sob segredo de Justiça.
A nota reafirma que Maria do Carmo nega as acusações relacionadas à utilização da imagem da filha de Omar Aziz, declara confiança na Justiça e repudia o que considera exploração política do episódio.
Após a operação, a empresária afirmou que está disposta a colaborar com as investigações.
“Estou aqui para colaborar e acredito que a Justiça dos homens será feita, porque a Justiça de Deus não falha. O fogo, quando não tem palha, não espalha”, declarou.

