A Polícia Civil de Roraima (PCRR) prendeu preventivamente, nesta segunda-feira (19), um casal venezuelano suspeito de sequestrar, torturar e extorquir duas pessoas em Boa Vista. Segundo as investigações, os suspeitos exigiram R$ 9 mil dos familiares para libertar as vítimas, que foram mantidas em cativeiro e submetidas a agressões físicas.
As prisões ocorreram no bairro Alvorada, zona oeste da capital, após quase três meses de investigação conduzida pelo 4º Distrito Policial, sob a coordenação do delegado Jonathan Freese.
De acordo com a Polícia Civil, os crimes tiveram início na tarde de 25 de julho, quando um venezuelano de 20 anos, identificado pelas iniciais A.W.Z.H., teria sido levado à força para um lava-jato, onde foi amarrado e agredido. O episódio teria sido motivado por um desentendimento relacionado ao desaparecimento de objetos do estabelecimento.
Na mesma noite, um dos investigados, identificado como J.A.F.R., de 25 anos, acompanhado da companheira, G.Y.H.V., de 29 anos, teria ido à residência dos pais de uma brasileira de 19 anos, identificada como E.C.S.O., companheira da primeira vítima.
Segundo a investigação, os envolvidos recolheram aparelhos celulares para impedir que os familiares acionassem a polícia. A jovem teria sido retirada à força da residência e agredida diante dos próprios familiares.
Vítimas foram amarradas e agredidas durante cativeiro
As duas vítimas foram levadas para um imóvel no bairro Asa Branca, onde permaneceram trancadas e amarradas, sendo submetidas a agressões físicas e ameaças.
Durante as investigações, J.A.F.R. admitiu ter mantido as vítimas no imóvel e desferido golpes com uma tábua de madeira na região das nádegas de ambas.
Ele também confirmou ter gravado um vídeo no qual os dois eram obrigados a fazer declarações sobre o suposto furto e assumir o compromisso de ressarcir os prejuízos alegados.
Enquanto as vítimas permaneciam em cativeiro, os familiares receberam exigências de pagamento para conseguir a libertação.
Segundo a Polícia Civil, foram cobrados R$ 4 mil para liberar a jovem e outros R$ 5 mil para libertar o companheiro, totalizando R$ 9 mil. Para conseguir o dinheiro, os familiares buscaram recursos e chegaram a empenhar uma motocicleta.
Transferências via Pix foram analisadas pela polícia
A investigação identificou indícios de que G.Y.H.V. participou diretamente das negociações para a libertação da jovem, fornecendo uma chave Pix vinculada à sua empresa para o recebimento dos valores.
Os pagamentos foram realizados para contas indicadas pelos envolvidos, e os comprovantes das transferências foram analisados pelos investigadores.
Após os pagamentos, a jovem foi deixada na Praça Germano Sampaio, no bairro Pintolândia, por volta das 2h da madrugada de 26 de julho.
O companheiro foi libertado posteriormente, por volta das 4h30. Conforme os relatos colhidos pela Polícia Civil, a jovem apresentava inchaço no rosto e hematomas provocados pelas agressões.
Investigação durou quase três meses
Durante a apuração, os policiais reuniram depoimentos das vítimas e testemunhas, comprovantes de transferências bancárias, informações sobre veículos e registros audiovisuais produzidos durante o cativeiro.
Com base nos elementos coletados, o delegado Jonathan Freese solicitou à Justiça a prisão preventiva do casal. Os mandados foram autorizados e cumpridos na manhã de segunda-feira (19).
“Uma suspeita de crime deve ser apurada pelas autoridades e não autoriza ninguém a sequestrar, agredir ou exigir dinheiro para libertar pessoas. Nosso trabalho foi reconstituir a dinâmica dos fatos, reunir provas e identificar a participação dos envolvidos”, afirmou o delegado.
Após as prisões, os suspeitos foram conduzidos à sede do 4º Distrito Policial, onde foram formalizados os cumprimentos dos mandados judiciais.
Os dois serão apresentados à Justiça nesta terça-feira (20), durante audiência de custódia.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer a possível participação de outras pessoas nos crimes e identificar a atuação individual de cada envolvido.

