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Medtrauma paralisa parcialmente serviços no HGR por dívida deixada na gestão de Antonio Denarium

Empresa alega inadimplência de R$ 11,8 milhões referente ao Contrato nº 745/2022, com pagamentos pendentes: Sesau aciona CRM-RR

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A empresa Medtrauma Serviços Médicos Especializados Ltda. comunicou à Secretaria de Estado da Saúde de Roraima (Sesau), por meio do Ofício nº 068/2026, de 26 de junho de 2026, a paralisação parcial dos serviços prestados no Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento (HGR). Em resposta, a secretaria informou ter acionado o Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM-RR) para apuração da conduta ética da empresa e dos profissionais envolvidos.

Segundo a Sesau, a comunicação da interrupção dos serviços não observou o prazo mínimo de 30 dias de antecedência previsto nas normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), requisito estabelecido para situações que possam resultar na descontinuidade da assistência médica.

A Medtrauma atribui a paralisação à inadimplência relacionada ao Contrato nº 745/2022, cujo valor global é de aproximadamente R$ 30,2 milhões. Conforme informado pela empresa, permanecem pendentes os pagamentos referentes aos meses de novembro e dezembro de 2025 e fevereiro, março e abril de 2026, totalizando um débito de R$ 11.836.375,14.

Em nota, a Sesau esclareceu que as faturas mencionadas referem-se a serviços prestados durante a gestão do ex-governador Antonio Denarium e ressaltou que os processos administrativos para quitação dos débitos estão em tramitação na atual administração, observando os procedimentos legais aplicáveis.

A secretaria destacou ainda que o governador Soldado Sampaio (Republicanos)  assumiu o comando do Executivo estadual de forma interina em 30 de abril de 2026, afirmando que a atual gestão não possui débitos vencidos que tenham motivado a interrupção dos serviços.

Atendimento permanece para casos de urgência

Apesar da paralisação parcial anunciada pela empresa, a Sesau informou que as cirurgias de urgência e emergência seguem sendo realizadas normalmente nos centros cirúrgicos do Hospital Geral de Roraima.

Em relação aos procedimentos eletivos afetados, a secretaria informou que os pacientes serão contatados para novo agendamento. Segundo o órgão, as cirurgias canceladas haviam sido marcadas diretamente pela Medtrauma, sem anuência da Sesau e sem registro no Sistema Estadual de Regulação.

A pasta ressaltou que a continuidade da assistência à população é prioridade e, diante da interrupção parcial dos serviços, comunicou formalmente o CRM-RR para que sejam avaliados os aspectos éticos relacionados à conduta da empresa e dos profissionais responsáveis.

Contrato acumula histórico de questionamentos

O Contrato nº 745/2022, objeto da cobrança apresentada pela Medtrauma, foi firmado durante a gestão do ex-governador Antonio Denarium (Republicanos) e teve sua vigência prorrogada nos anos seguintes.

O instrumento contratual já foi alvo de fiscalizações por órgãos de controle. Auditorias do Tribunal de Contas do Estado de Roraima (TCE-RR) identificaram indícios de superfaturamento na aquisição de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPMEs), estimados em aproximadamente R$ 2,6 milhões, além de apontamentos relacionados à adesão à ata de registro de preços do Estado do Acre e falhas na fiscalização da execução contratual.

Também houve atuação do Tribunal de Contas da União (TCU), que, em 2023, determinou cautelarmente a suspensão de pagamentos realizados com recursos federais vinculados ao contrato. A Controladoria-Geral da União (CGU), por sua vez, identificou indícios de sobrepreço na aquisição de materiais utilizados na prestação dos serviços.

Nota da Sesau

Em nota encaminhada à imprensa, a Secretaria de Estado da Saúde reiterou que:

  • as cirurgias de urgência e emergência continuam sendo realizadas normalmente no HGR;
  • a comunicação da paralisação ocorreu sem o prazo mínimo de 30 dias previsto pelo Conselho Federal de Medicina;
  • o CRM-RR foi acionado para apurar a conduta ética da empresa e dos profissionais envolvidos;
  • os pacientes com cirurgias eletivas canceladas serão remarcados;
  • os pagamentos reivindicados referem-se à gestão anterior e os processos administrativos seguem em tramitação, conforme a legislação vigente.
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