O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou a abertura de apuração sobre a contratação, pelo Banco de Brasília (BRB), de uma agência de comunicação para atuar na gestão da crise de imagem decorrente da aquisição de ativos do Banco Master.
A decisão foi tomada na quarta-feira (29), em resposta a uma representação apresentada pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT). O parlamentar questiona a legalidade da contratação e pede a anulação do contrato, além da devolução dos R$ 1,4 milhão empenhados.
O acordo foi firmado, sem licitação e em caráter emergencial, em março de 2025, período em que o BRB adquiriu carteiras do Banco Master. A contratação ocorreu meses antes de a Operação Compliance Zero revelar um esquema de fraudes atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo os documentos encaminhados ao Tribunal de Contas, o objetivo da contratação era minimizar os impactos negativos provocados pela repercussão da operação na imagem institucional do BRB.
Com a decisão do TCDF, o banco terá prazo de 30 dias para apresentar esclarecimentos sobre a contratação ou promover a devolução dos valores aos cofres públicos.
Relator do processo, o conselheiro Renato Rainha afirmou que, em uma análise preliminar, não identificou ilegalidade na formalização do contrato. No entanto, ressaltou que isso não impede a apuração sobre as decisões que levaram à necessidade de uma contratação emergencial para administrar a repercussão da compra.
Para o conselheiro, a demanda por uma empresa especializada em gestão de crise decorreu da decisão de adquirir ativos do Banco Master, medida que, segundo ele, comprometeu a imagem do BRB perante o mercado financeiro.
Rainha também observou que os riscos envolvidos na operação já eram conhecidos por agentes do setor bancário antes da concretização da negociação, mas, ainda assim, o banco optou por prosseguir com a aquisição.
A decisão foi acompanhada pelos conselheiros Paulo Tadeu e Márcio Michel, além do conselheiro substituto Vinícius Fragoso.

