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Aliado de Daniel, novo secretário de Segurança de Ananindeua já foi preso por integrar quadrilha de fraude

Servidor ocupou postos de comando na segurança de Ananindeua durante a administração do atual candidato ao Governo do Pará e acaba de assumir a secretaria da área; irmão também é réu em processo que inclui acusação de milícia privada

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Aliado de Daniel Santos (Podemos) e integrante da estrutura de segurança de Ananindeua durante a gestão do ex-prefeito, Ronald Figueiredo Bittencourt assumiu nesta quinta-feira, dia 1°,  o comando da Secretaria Municipal de Segurança carregando um histórico marcado por episódios policiais e judiciais. O novo secretário já foi preso durante uma investigação sobre fraude em concurso público, atualmente é réu em uma ação penal e também teve medidas protetivas determinadas pela Justiça em favor de uma ex-companheira.

Ronald não ingressou no serviço público durante a gestão de Daniel. Ele já fazia parte da Guarda Municipal de Ananindeua quando foi preso, em 2012, durante uma operação que investigava uma tentativa de fraude no concurso da Guarda Municipal de Belém.

Na ocasião, nove pessoas foram detidas. A investigação apontava a existência de um grupo que pretendia obter as respostas da prova e repassá-las a candidatos. Conforme as informações policiais divulgadas à época, Ronald estaria entre os envolvidos no esquema investigado.

A operação ocorreu antes da conclusão da suposta fraude. A prisão registrada naquele episódio, contudo, não representa, isoladamente, uma condenação definitiva, e as informações disponíveis não permitem afirmar qual foi o desfecho criminal posterior daquele caso.

Ronald chegou ao comando durante gestão de Daniel Santos

Anos depois da prisão, Ronald permaneceu nos quadros da segurança municipal e avançou na hierarquia da corporação.

Em fevereiro de 2025, já durante o segundo mandato de Daniel Santos na Prefeitura de Ananindeua, Ronald aparecia oficialmente como subinspetor da Guarda Civil Municipal. Ele participou, nessa condição, da cerimônia de posse do novo comando da corporação, evento que também contou com a presença do então prefeito.

Posteriormente, Ronald passou a ocupar o cargo comissionado de subcomandante-geral da Polícia Municipal de Ananindeua.

Em maio de 2026, já sob a administração do prefeito Hugo Atayde, Ronald foi afastado dessa função. No mês seguinte, em 22 de junho, um novo decreto municipal tornou sem efeito a determinação anterior, permitindo sua permanência no cargo.

Agora, em outubro de 2026, Ronald alcançou um posto ainda mais alto na administração municipal: foi nomeado por Hugo Atayde para comandar a Secretaria Municipal de Segurança de Ananindeua.

Secretário também é réu em ação penal

Além do episódio envolvendo o concurso público, Ronald responde atualmente a uma ação penal que tramita na 2ª Vara Criminal de Ananindeua.

O Ministério Público apresentou denúncia envolvendo fatos enquadrados como injúria racial ou religiosa, perturbação ou ultraje a culto religioso e crime ambiental relacionado a plantas de ornamentação.

A denúncia foi aceita pela Justiça em julho de 2025, fazendo com que Ronald passasse à condição de réu no processo. O recebimento da acusação permite o prosseguimento da ação penal, mas não significa que tenha ocorrido condenação.

Justiça manteve medidas protetivas em favor de ex-companheira

Ronald também foi alvo de medidas protetivas de urgência concedidas pela Vara de Violência Doméstica de Ananindeua em favor de uma ex-companheira.

No processo, a mulher, que também trabalhava na área de segurança municipal, relatou à Justiça episódios de violência psicológica, perseguição e constrangimentos no ambiente profissional. Ela também alegou que Ronald teria utilizado a posição hierárquica que ocupava para intimidá-la.

Entre as restrições impostas estavam a proibição de contato e a obrigação de manter distância mínima de 500 metros da ex-companheira.

A defesa de Ronald recorreu ao Tribunal de Justiça do Pará e questionou as restrições, inclusive sob o argumento de que ambos trabalhavam no mesmo órgão. O pedido para afastar as medidas, entretanto, foi negado, e as determinações permaneceram em vigor.

Assim como ocorre com uma ação penal ainda sem julgamento definitivo, a existência de medidas protetivas não equivale, por si só, a uma condenação criminal.

Irmão é réu em processo que inclui acusação de milícia privada

O irmão do atual secretário, Ronaldo Figueiredo Bitencourt, também enfrenta uma ação criminal na Justiça paraense.

Ele e outros quatro acusados são réus em processo que tramita na Vara Única de Moju. Entre as acusações estão porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, ameaça, esbulho possessório ou alteração de limites mediante violência ou grave ameaça e constituição de milícia privada.

O caso começou após uma operação realizada em maio deste ano durante o cumprimento de uma decisão de reintegração de posse em uma propriedade rural de Moju. Cinco homens foram presos naquela ocasião.

Durante a ação, foram apreendidos quatro revólveres calibre .38, cinco coletes balísticos e dois veículos. Posteriormente, a Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e determinou o prosseguimento da ação penal.

Trajetória ganha repercussão durante disputa pelo Governo do Pará

O histórico de Ronald volta ao debate público justamente no momento em que Daniel Santos disputa o Governo do Pará.

Os registros disponíveis mostram que Ronald já pertencia à Guarda Municipal antes de Daniel assumir a Prefeitura de Ananindeua. Também demonstram que, durante a administração do ex-prefeito, ele exerceu funções de comando na corporação e chegou à posição de subcomandante-geral da Polícia Municipal.

A nomeação para secretário de Segurança, por outro lado, ocorreu somente agora, na administração de Hugo Atayde, sucessor de Daniel Santos na prefeitura.

Daniel deixou o comando do município para disputar as eleições de 2026. Ronald permaneceu na estrutura da segurança de Ananindeua e, após ocupar diferentes posições na corporação, chegou ao comando da secretaria responsável pela área.

 

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