Oito tripulantes estrangeiros do navio mercante Latifa, da Tanzânia, chegaram ao município de Santana após serem resgatados pela Marinha do Brasil, depois de quase 20 dias à deriva na costa do Amapá. A embarcação havia saído de Cartagena, na Colômbia, com destino a Montevidéu, no Uruguai, quando sofreu falha mecânica e perdeu propulsão.
A equipe encontrou os ocupantes com quadro físico preservado, mas com sinais de desgaste emocional após o período em alto-mar. Após o primeiro atendimento, eles receberam água, alimentação e assistência médica antes de seguirem escoltados até o porto, onde o navio atracou nesta quarta-feira (15) e será submetido à inspeção.
“Nós chegamos lá depois de três dias de navegação. A tripulação estava em boas condições físicas, mas muito abalados psicologicamente pelo estresse de tantos dias à deriva”, afirmou o capitão de corveta Tiago Pereira, responsável pela operação.

Durante o resgate, a Marinha também monitorou o risco ambiental, já que o navio transportava materiais oleosos. A avaliação considerou a possibilidade de danos à região caso houvesse vazamento durante o período em que a embarcação permaneceu sem controle.
“Era uma situação que evoluiu para risco humanitário e ambiental. A Marinha atua para proteger a vida humana no mar”, disse o comandante.
O ajudante da Capitania dos Portos do Amapá, Jorge Brandão, informou que a tripulação já estava com poucos mantimentos e reforçou o uso dos canais de emergência disponíveis para situações semelhantes, que funcionam em regime permanente.
Navio da Tanzânia
O navio mercante MV Latifa transportava óleo e operava sob bandeira da República Unida da Tanzânia em uma rota internacional pela América do Sul. A embarcação havia partido de Cartagena, na Colômbia, com destino a países do sul do continente.
Durante o trajeto, o navio apresentou falha no sistema de propulsão e perdeu a capacidade de navegação, ficando à mercê das correntes marítimas até se aproximar da costa norte do Brasil. Sem controle, a embarcação acabou sendo levada até a região de Calçoene, onde lançou âncora.
A origem estrangeira da embarcação e a composição internacional da tripulação, formada por venezuelanos e um europeu, exigiram atuação conjunta de órgãos brasileiros após o resgate, incluindo fiscalização documental e regularização da situação dos tripulantes no país.





