A Polícia Civil de Roraima (PCRR) participou, nas primeiras horas desta quarta-feira (15), da deflagração da Operação Real State, coordenada pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), com foco no combate a uma organização criminosa interestadual especializada em fraudes imobiliárias de alto padrão.
A ação foi conduzida pela Delegacia de Combate a Estelionatos (DCE), vinculada ao Departamento de Investigações Criminais (DIC) da PCSC, com apoio da Coordenação-Geral de Repressão a Crimes Cibernéticos (CIBERLAB/DIOPI/SENASP), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A operação contou ainda com a atuação integrada das Polícias Civis dos estados do Amazonas, Ceará, Maranhão, Goiás e Roraima.
Em Boa Vista, os trabalhos foram coordenados pelo delegado titular da Delegacia de Defraudações (DDEF), Ricardo Daniel. As diligências ocorreram nos bairros Caçari, Asa Branca e São Vicente, onde foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão.
A operação contou com apoio do Núcleo de Inteligência (NI) e participação de equipes do 2º e do 4º Distrito Policial, além do delegado Thiago Alexandre.
Atuação em Roraima
Segundo o delegado Ricardo Daniel, a ação reforça a importância da integração entre forças de segurança no enfrentamento ao crime organizado.
De acordo com ele, a investigação é conduzida pela Polícia Civil de Santa Catarina e apura fraudes na aquisição de imóveis em Florianópolis, tendo sido solicitado o apoio da PCRR para o cumprimento de ordens judiciais em Boa Vista. Por determinação do delegado-geral da instituição, Luciano Silvestre, uma equipe foi designada para atuar na operação.
Resultado da operação
Durante a ação, um homem de 45 anos, identificado pelas iniciais L.C.S., foi preso em sua residência, no bairro Caçari. Ele é apontado como garimpeiro.
O segundo alvo em Roraima não foi localizado e, conforme apurado pelas equipes, estaria atualmente na Guiana. As diligências seguem para localizá-lo e aprofundar as investigações.
Esquema criminoso
As investigações indicam que o grupo negociou ilegalmente cinco imóveis de alto padrão na região de Jurerê Internacional, em Florianópolis (SC), causando prejuízo estimado em R$ 12 milhões.
O esquema operava por meio de dois principais métodos: fraudes digitais e societárias, com uso indevido de assinaturas eletrônicas da plataforma Gov.br para incluir vítimas, sem autorização, em quadros societários de empresas; e falsificação de documentos, com utilização de procurações falsas para lavratura de escrituras e concretização das vendas sem o consentimento dos proprietários.
Lavagem de dinheiro
Após as vendas fraudulentas, os valores eram movimentados para dificultar o rastreamento, sendo distribuídos em diversas contas bancárias de terceiros e posteriormente direcionados aos líderes do esquema, principalmente no estado do Ceará.
Abrangência nacional
Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão nos municípios de Boa Vista (RR), Brejo de Areia (MA), Caucaia (CE), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Goiânia (GO) e Trindade (GO).
Crimes investigados
Os investigados poderão responder por estelionato qualificado por fraude eletrônica (Art. 171, § 2º-A do Código Penal), associação criminosa (Art. 288 do Código Penal) e lavagem de dinheiro (Art. 1º da Lei nº 9.613/98). As penas somadas podem chegar a 21 anos de reclusão, além de multa.
O preso em Roraima foi encaminhado ao 2º Distrito Policial, onde teve o mandado formalizado e, em seguida, foi apresentado em audiência de custódia.


