O deputado estadual Sinésio Campos (PT-AM) afirmou que irá apresentar uma moção de solidariedade ao Papa Leão XIV após críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à tensão envolvendo a guerra com o Irã. O anúncio foi feito nesta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa do Amazonas.
A proposta surge após declarações públicas de Trump contra o pontífice, que tem defendido soluções diplomáticas para o conflito. O presidente chegou a afirmar que o papa “não deveria estar falando sobre guerra” e que não entende o cenário envolvendo o Irã .
Durante o pronunciamento, Sinésio afirmou que as falas atingem não apenas o líder religioso, mas toda a Igreja Católica.
“Veja o nível de desrespeito. Ele nem trata como Papa, chama apenas de Leão”, disse.
O deputado também criticou a postura internacional do governo norte-americano e associou o posicionamento de Trump à escalada de conflitos.
“Quem sempre foi o senhor da guerra foram os Estados Unidos”, afirmou.
Reação e envio à CNBB
Sinésio disse que a moção será encaminhada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e defendeu que o Parlamento se posicione diante das declarações. Segundo ele, o silêncio institucional diante de ataques a lideranças religiosas não é uma opção.
“Não dá para ficar calado. Não dá para se omitir. Como católico e como parlamentar, eu acho que esta Casa precisa se posicionar”, afirmou.
O parlamentar também mencionou uma publicação atribuída a Trump nas redes sociais com elementos religiosos, o que gerou reação entre líderes católicos. O episódio ocorreu após o presidente compartilhar uma imagem produzida por inteligência artificial em que aparecia como uma figura semelhante a Jesus Cristo.
“Como alguém que respeita todas as denominações religiosas, eu vejo o limite que esse elemento chegou”, disse.

Embate
As críticas de Trump ao Papa ocorrem em meio ao posicionamento do pontífice contra a guerra e a escalada de tensões no Oriente Médio. O líder da Igreja Católica tem defendido o diálogo e alertado para as consequências humanitárias do conflito.
Nos últimos dias, o presidente norte-americano intensificou os ataques, classificando o Papa como “fraco” e afirmando que ele estaria errado ao se manifestar sobre o tema .
O embate elevou o tom entre o Vaticano e o governo dos Estados Unidos e provocou reação de lideranças religiosas em diferentes países. A moção anunciada por Sinésio se insere nesse contexto de repercussão internacional e busca formalizar uma posição da Assembleia Legislativa do Amazonas sobre o caso.


