InícioRoraimaEx-vereador que revelou suposto esquema milionário na Câmara sobe o tom contra...

Ex-vereador que revelou suposto esquema milionário na Câmara sobe o tom contra Genilson Costa; “Traficante”

Ruan Kenobby usa redes sociais para fazer acusações graves, afirma que o vereador deveria estar preso

Publicado em

O ex-vereador de Boa Vista, Ruan Kenobby, causou polêmica em posts em uma rede social neste domingo, 12, e elevou o tom ao confrontar o presidente da Câmara Municipal de Boa Vista (CMBV), Genilson Costa (Republicanos).

Em uma série de recados nos stories do Instagram, o ex-parlamentar, que está morando nos Estados Unidos, confrontou Genilson Costa com mensagens como “traficante internacional de drogas”, acompanhadas de uma foto do presidente ao fundo da postagem. Ao que tudo indica, a imagem vinha sendo utilizada por apoiadores do presidente da Câmara com a tag “Tô com ele”, em possível apoio à candidatura de Genilson Costa a deputado estadual.

Em outra publicação, Kenobby afirma que, mesmo com as provocações, Genilson não teria coragem de processá-lo, pois “sabe que, no fundo, eu sei a verdade”.

Ele continua com questionamentos: “Esse cara não deveria ser candidato. A Polícia Federal deveria prender ele e os aliados dele que lavam dinheiro na Câmara”, denunciou.

Ruan Kenobby ainda levantou suspeitas sobre o trâmite de um processo que pode cassar o mandato de Genilson Costa: “O processo está parado”.

“Em Roraima, tem um acusado de tráfico internacional de drogas querendo ser deputado. Por quê?”, finaliza.

Mais denúncias

O ex-vereador Ruan Kenobby, filiado ao Democracia Cristã, publicou no dia 2 de fevereiro de 2026, por meio de suas redes sociais, denúncias sobre um suposto esquema de desvio de recursos de gabinete no âmbito da Câmara Municipal de Boa Vista. Em sequência de publicações, o ex-parlamentar descreveu, de forma detalhada, a dinâmica operacional que, segundo ele, caracterizaria a irregularidade. Cada parlamentar que participava do esquema embolsaria cerca de R$ 118 mil por mês.

As verbas de gabinete — atualmente fixadas em R$ 35 mil no município — destinam-se à manutenção das atividades parlamentares, incluindo despesas com contratação de pessoal, aquisição de materiais e custos administrativos vinculados ao exercício do mandato. De acordo com o relato, o suposto esquema envolveria a emissão de notas fiscais ideologicamente falsas por parte de empresas, referentes a serviços ou fornecimentos inexistentes, com a finalidade de justificar a utilização indevida dos recursos públicos.

Cassado

O mandato de Genilson Costa foi cassado no dia 19 de novembro de 2025 por compra massiva de votos, uso de caixa dois e abuso de poder econômico no pleito de 2024. A decisão foi assinada pelo juiz Ângelo Augusto Graça Mendes, da 5ª Zona Eleitoral de Boa Vista.

À época, o magistrado também declarou inelegíveis por oito anos outros 14 envolvidos em um esquema considerado “complexo, estruturado e hierarquizado” de compra massiva de votos, uso de caixa dois e abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2024.

A sentença à qual O FATO teve acesso, com mais de 40 páginas, resulta de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). O órgão apontou que a reeleição de Genilson foi viabilizada por um esquema que teria movimentado mais de R$ 4 milhões em recursos não declarados, utilizados principalmente para pagar entre R$ 100 e R$ 150 por voto.

Flagrante

O caso teve origem em 5 de outubro de 2024, véspera da eleição. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu em flagrante Saulo Emanuel Pires da Costa, em uma casa no bairro Santa Tereza, onde eleitores foram encontrados com dinheiro em espécie e material de campanha de Genilson.

Segundo a sentença, Saulo confessou que realizava pagamentos a mando de Jhonas Vieira Veloso, um dos coordenadores da estrutura. No dia seguinte, 6 de outubro, a PF cumpriu mandado de busca na residência do vereador.

Foram apreendidos dinheiro em espécie, ouro em estado bruto, armas de fogo, celulares e diversas anotações, incluindo listas detalhadas de eleitores e líderes políticos envolvidos na distribuição de valores.

“TOP DOS 100”: O CENTRO DO SUPOSTO ESQUEMA

O material apreendido revelou a atuação de um grupo de WhatsApp chamado “OS TOP 100”, utilizado como central de controle da compra de votos. Segundo o Ministério Público, eleitores eram orientados a enviar vídeos segurando o santinho do candidato e pronunciando o número 10222 para comprovar o voto e liberar o pagamento.

Além das relações encontradas em papel, conversas de celular mostraram que a operação envolvia pagamentos padronizados de R$ 150 por eleitor, movimentações superiores a R$ 1,4 milhão rastreadas em parte do período, planilhas e registros contábeis paralelos e uso de recursos de origem ilícita para despesas não declaradas na campanha. O juiz considerou que o esquema violou a “normalidade e legitimidade das eleições”, configurando abuso de poder econômico.

spot_img

Últimos Artigos

Escolegis abre 400 vagas para novos cursos presenciais em Boa Vista

A Escola do Legislativo de Roraima (Escolegis), programa da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR),...

Flávio Bolsonaro usa vídeo da fome gravado no governo do pai para atacar Lula

O senador Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais com críticas ao governo...

Deputado que manteve esposa de ministro do TCU em suposto cargo fantasma é condenado por danos morais

O deputado federal Gabriel Mota (União-RR) foi condenado a indenizar em R$ 2,5 mil...

Com investimento de R$ 5,9 bi, Hana lança nova etapa do Asfalto Por Todo o Pará com 270 km de pavimentação

A governadora Hana Ghassan lançou, na manhã deste sábado (11), em Belém, a nova...

Mais como este

Escolegis abre 400 vagas para novos cursos presenciais em Boa Vista

A Escola do Legislativo de Roraima (Escolegis), programa da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR),...

Flávio Bolsonaro usa vídeo da fome gravado no governo do pai para atacar Lula

O senador Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais com críticas ao governo...

Deputado que manteve esposa de ministro do TCU em suposto cargo fantasma é condenado por danos morais

O deputado federal Gabriel Mota (União-RR) foi condenado a indenizar em R$ 2,5 mil...