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Com projeto político ambicioso, ex-prefeito de Ananindeua tem R$ 140 milhões em bens na mira de investigação

Em 2024, o político declarou ao TSE patrimônio de R$ 4,8 milhões, mas a Operação Hades aponta evolução patrimonial muito superior, com valores que ultrapassam dezenas de milhões de reais.

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A pré-candidatura de Daniel Santos (Podemos) ao Governo do Pará ocorre em meio ao avanço das investigações do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), que apontam uma expressiva divergência entre o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral e os valores identificados ao longo da apuração.

Nas eleições de 2024, o político declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possuir R$ 4.849.539,60 em bens. No entanto, dados levantados pela Operação Hades indicam uma evolução patrimonial muito superior. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 140 milhões em bens atribuídos diretamente ou indiretamente a Daniel Santos — valor cerca de 28 vezes maior que o declarado, representando um aumento de 2.787%.

A discrepância se torna ainda mais evidente quando analisada a evolução patrimonial ao longo dos anos. Em 2018, quando foi eleito deputado estadual, Daniel declarou apenas R$ 351 mil. Já em 2020, esse valor subiu para R$ 2 milhões, até alcançar os R$ 4,8 milhões informados em 2024 — números que, segundo o MPPA, não acompanham o volume de bens identificados nas investigações.

A Operação Hades aprofundou o rastreamento de movimentações financeiras, aquisição de imóveis, maquinários e participação em empresas. A apuração reúne documentos, dados bancários, registros de propriedades e informações extraídas de celulares apreendidos, além de depoimentos e diligências.

Entre os bens identificados estão fazendas em Tomé-Açu, que somam cerca de 3.800 hectares e foram negociadas por aproximadamente R$ 16 milhões, além de uma propriedade em Aurora do Pará avaliada em R$ 1,4 milhão. Também consta a aquisição de uma aeronave, com pagamentos que chegam a cerca de R$ 10 milhões, além de um imóvel de alto padrão em Fortim (CE), estimado em R$ 4 milhões, e um apartamento em Fortaleza.

A lista inclui ainda máquinas pesadas, como retroescavadeira de R$ 700 mil e tratores avaliados em R$ 3 milhões, além de R$ 1,3 milhão em combustíveis. Durante a operação, também foram apreendidos aproximadamente R$ 2,5 milhões em relógios de luxo.

Segundo o Ministério Público, parte significativa desses bens não aparece nas declarações eleitorais e estaria registrada em nome de terceiros ou vinculada a empresas ligadas ao entorno familiar e político. Entre elas, a JD Agropecuária, apontada como responsável por concentrar propriedades rurais e maquinários.

As investigações também alcançam contratos firmados pela Prefeitura de Ananindeua, com indícios de irregularidades em licitações. De acordo com os promotores, há suspeitas de que empreiteiras tenham sido beneficiadas com contratos públicos e, em contrapartida, tenham financiado a aquisição de bens. Empresas como Edifica, Everest, Martins e DSL são citadas na apuração — esta última teria repassado R$ 2,2 milhões diretamente para a compra da aeronave.

O MPPA aponta a existência de um suposto esquema estruturado envolvendo agentes públicos e empresários, com indícios de corrupção, lavagem de dinheiro, peculato, fraude em licitação e organização criminosa. No total, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 500 milhões em bens dos investigados, sendo R$ 140 milhões relacionados a Daniel Santos.

A defesa do político nega irregularidades e sustenta que o patrimônio é resultado de atividades lícitas. As investigações seguem em andamento e devem avançar com a análise do material já coletado pelos órgãos de controle.

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