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Operação Vetor 174 desarticula quadrilha interestadual e apreende 40 kg de drogas em Boa Vista

Ação integrada da PCRR e PRF prendeu quatro suspeitos, todos venezuelanos, e revelou uma estrutura criminosa organizada que abastecia o tráfico na zona oeste da capital.

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Uma operação integrada da Polícia Civil de Roraima (PCRR) resultou na desarticulação de uma organização criminosa dedicada ao tráfico interestadual de drogas. A ação, deflagrada nesta quarta-feira (8), mobilizou equipes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), do Departamento de Narcóticos (Denarc), do Núcleo de Inteligência (NI) e contou com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Quatro suspeitos foram presos e cerca de 40 quilos de entorpecentes foram apreendidos, além de armas de fogo, munições e veículos utilizados pelo grupo.

Segundo o delegado titular da DRE, Júlio César da Rocha, a ofensiva impôs um prejuízo imediato de aproximadamente R$ 750 mil ao crime organizado — valor que pode ultrapassar R$ 4 milhões no comércio varejista. A investigação teve como base levantamentos de inteligência que identificaram uma rota ativa de abastecimento de drogas em Roraima, estruturada a partir do transporte de entorpecentes de Manaus para Boa Vista, com possível extensão até Pacaraima.

Rota interestadual e logística do grupo

As apurações revelaram que a quadrilha operava com divisão clara de funções e usava um veículo adaptado com compartimentos ocultos para dificultar fiscalizações rodoviárias. O Núcleo de Inteligência foi responsável por mapear a dinâmica do grupo e monitorar os deslocamentos entre os estados.

Na manhã da operação, as equipes passaram a acompanhar um Chevrolet Onix utilizado para transportar a droga. O condutor adotou manobras de contra vigilância ao entrar em Boa Vista, circulando por várias vias antes de seguir para imóveis já identificados pelos investigadores.

Prisões e apreensões

A primeira intervenção ocorreu no bairro Jardim Tropical, onde foram presos A.G.B.B., 29 anos, e J.F.D.V.M., 36 anos. De acordo com a PCRR, A.G.B.B. era responsável pelo armazenamento e preparo das drogas, enquanto J.F.D.V.M. atuava como distribuidor, realizando entregas em motocicleta para abastecer pontos de venda na zona oeste. No local, os policiais apreenderam cerca de 6 quilos de skunk, cocaína e pasta base, além de balanças de precisão e materiais para manipulação dos entorpecentes.

Em seguida, no bairro Centenário, foram detidos F.E.A.C., 36 anos, motorista do veículo utilizado no transporte interestadual, e J.D.R.R., 42 anos, apontado como “batedor” do carregamento — responsável por circular à frente do comboio para identificar barreiras e fiscalizações. No endereço, foram apreendidos três carros e uma motocicleta.

A operação avançou ainda para um terceiro imóvel, no bairro Olímpico, identificado como “mocó” utilizado pela organização para armazenar grandes quantidades de drogas. Lá foram encontrados o restante dos entorpecentes, armas de fogo e centenas de munições de diversos calibres.

Material apreendido

Ao final da operação, a polícia contabilizou:

  • 40 kg de drogas (skunk, cocaína e pasta base);
  • 3 pistolas (calibres 9 mm, .45 e .380);
  • Carregadores, inclusive de alta capacidade, e um seletor de rajada;
  • Centenas de munições (9 mm, .40, .45 e .38);
  • 6 veículos usados pela quadrilha (um Onix, dois Cronos e três motocicletas).

Todos os envolvidos são de nacionalidade venezuelana e, conforme a investigação, atuavam diretamente no abastecimento do tráfico em bairros da zona oeste de Boa Vista.

Os quatro suspeitos foram autuados em flagrante por tráfico de drogas, associação para o tráfico e posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e restrito. Eles foram apresentados em audiência de custódia nesta quinta-feira (9).

Vetor 174

A operação foi batizada de Vetor 174 em referência à BR-174, principal eixo utilizado pela organização criminosa para o transporte dos entorpecentes entre Manaus e Boa Vista. O termo “vetor” simboliza o fluxo contínuo e estruturado da logística do tráfico.

Para o delegado Júlio César da Rocha, a ação representa “um duro golpe contra o crime organizado em Roraima”, ao interromper uma rota ativa de abastecimento de drogas e comprometer a capacidade operacional do grupo. As investigações continuam para identificar outros membros e possíveis ramificações da organização criminosa.

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