O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), renunciou ao cargo na manhã desta quinta-feira após ter sido afastado do comando do município por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida ocorre um dia após o prefeito ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga um suposto esquema de fraude em licitações na Secretaria Municipal de Saúde. Endereços ligados a Furlan e ao vice-prefeito, Mario Neto (MDB), também foram alvo de mandados de busca e apreensão.
De acordo com informações divulgadas pelo canal de notícias GloboNews, a renúncia teria sido motivada pela tentativa de evitar a cassação do mandato, o que poderia inviabilizar planos de disputar o governo do Amapá. Após a operação que resultou em seu afastamento, Furlan publicou um vídeo nas redes sociais para anunciar sua pré-candidatura ao governo estadual. Sem mencionar a ação policial, afirmou estar sendo alvo de “ataques e perseguições”.
No pronunciamento, o prefeito declarou que os acontecimentos não seriam direcionados a ele, mas contra “a vontade do povo e da população de Macapá”, reafirmando a intenção de concorrer ao Executivo estadual.
Já nesta quinta-feira, em publicação em seu perfil oficial, Furlan afirmou que sua atuação na prefeitura teve como objetivo “cuidar das pessoas”. Ele agradeceu o apoio da população e afirmou que as ações de sua gestão foram resultado de “escuta, presença e respeito” aos moradores da capital amapaense.
Com a renúncia, quem assume a prefeitura é Pedro DaLua (União), presidente da Câmara Municipal de Macapá. A mudança foi formalizada ainda na quarta-feira, durante cerimônia realizada no Palácio Laurindo Banha, sede do governo municipal.
Operação Paroxismo
A investigação integra a segunda fase da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal, que cumpriu mandados expedidos pelo STF. A decisão determinou o afastamento, por 60 dias, de servidores públicos investigados. Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá, Belém (PA) e Natal (RN).
Segundo a PF, há indícios da existência de um esquema criminoso envolvendo agentes públicos, entre eles Furlan e o vice-prefeito Mario Neto, além de empresários. O grupo seria responsável por direcionar licitações, desviar recursos públicos e promover lavagem de dinheiro em contratos relacionados ao projeto de engenharia e à execução das obras do Hospital Geral Municipal de Macapá.
Na primeira fase da operação, deflagrada em setembro do ano passado, a Polícia Federal informou que o esquema também envolveria pagamento de propina. Conforme as investigações, o contrato para execução das obras do hospital, firmado em maio de 2024, foi estabelecido no valor de R$ 69,3 milhões.
Ao solicitar o afastamento do prefeito, a PF informou ao STF que, durante uma ação controlada na capital amapaense, monitorou um veículo vinculado ao chefe do Executivo municipal que transportava uma mochila com R$ 400 mil em espécie.
Segundo a corporação, a verificação do registro do automóvel em bancos de dados oficiais indicou que o veículo está registrado em nome de Antônio Paulo de Oliveira Furlan, prefeito do município de Macapá.


