O Senado do Paraguai aprovou, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña, acusado de envolvimento em um escândalo financeiro relacionado ao Banco Ueno, cuja liquidação afetou cerca de 3 milhões de clientes. A destituição recebeu 44 votos favoráveis, com uma ausência, um dia depois de a Câmara dos Deputados também aprovar o afastamento do chefe de Estado.
Peña havia anunciado que compareceria ao Congresso para apresentar sua defesa, mas não participou da sessão e enviou advogados para representá-lo. Antes da votação, o presidente também manifestou a intenção de renunciar ao cargo, medida que dependeria da aceitação dos parlamentares.
Apesar do anúncio, integrantes da oposição e até membros do partido governista defenderam a continuidade do processo de impeachment. O objetivo era impedir que Peña mantivesse o foro privilegiado.
Com a decisão, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência do Paraguai. Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados rejeitou uma tentativa de impeachment contra ele.
Escândalo bancário provocou crise política
A crise que culminou na destituição de Santiago Peña começou após o fechamento do Banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez. A instituição encerrou suas atividades na terça-feira (3), depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação ao identificar problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco.
O Ueno possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, valor equivalente a R$ 4,6 bilhões. Entre os recursos estavam depósitos do Instituto de Previdência Social.
Peña, que assumiu a Presidência em 2023, manteve participação acionária no grupo controlador do banco até março de 2025.
A relação do presidente com a instituição passou a ser questionada pela oposição, que apresentou acusações de conflito de interesses, manipulação de regras regulatórias, desvio de recursos previdenciários e suposto encobrimento de irregularidades pelo Banco Central.
Durante a discussão na Câmara, a deputada oposicionista Rocío Vallejo responsabilizou Peña pelos prejuízos provocados pela crise bancária e afirmou que o presidente havia prejudicado milhões de paraguaios em um único dia.
Peña prometeu responsabilizar envolvidos
Antes da conclusão do processo de impeachment, Santiago Peña utilizou a rede social X para afirmar que os responsáveis pelas irregularidades identificadas no Banco Ueno seriam responsabilizados judicialmente, independentemente de quem fossem.
O presidente também promulgou uma lei destinada a acelerar a devolução dos recursos aos clientes da instituição financeira.
Na manifestação, Peña pediu que os diferentes grupos políticos priorizassem os interesses dos poupadores afetados pela crise.
A aprovação do impeachment ocorreu em meio às repercussões do fechamento do banco e às acusações sobre a relação do presidente com o grupo empresarial responsável pela instituição.

