O candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) foi preso preventivamente pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (1º), em Boa Vista, durante a Operação Lemming. A investigação apura suspeitas de corrupção eleitoral e associação criminosa e aponta para uma suposta estrutura destinada a beneficiar tanto a candidatura de Jalser quanto a de sua esposa, Tatyanne Padilha, a Dra. Taty (PSDB), que disputa uma vaga de deputada federal.
Segundo informações preliminares, a Polícia Federal suspeita que o grupo pretendia alcançar mais de 12 mil eleitores, com previsão de aproximadamente R$ 4 milhões destinados à suposta compra de votos.
Além da prisão preventiva de Jalser, a operação cumpre seis mandados de busca e apreensão em endereços de investigados localizados em Boa Vista, Cantá e Caracaraí. As ordens foram expedidas pela Justiça Eleitoral.
Também foram impostas medidas cautelares, como a proibição de contato entre investigados e a vedação à realização de saques em espécie. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e valores de até R$ 4.228.100.
Desse montante, R$ 2.449.300 estão relacionados a Jalser e Dra. Taty, conforme as informações divulgadas sobre a investigação. O restante do bloqueio foi distribuído entre seis pessoas apontadas como coordenadores.
Planilhas indicariam valores por eleitor
A Operação Lemming é consequência direta da primeira prisão de Jalser, ocorrida na semana passada. Na ocasião, ele foi detido em flagrante durante outra ação da Polícia Federal, passou uma noite no sistema prisional e posteriormente ganhou liberdade após audiência de custódia e pagamento de fiança.
Durante aquela diligência, os policiais apreenderam R$ 19,1 mil em espécie e planilhas que passaram a ser analisadas pelos investigadores.
De acordo com as informações atribuídas à PF, os documentos registravam valores individuais que variavam entre R$ 200 e R$ 500 por eleitor, acompanhados da sigla “BU”, interpretada na investigação como referência a “Boca de Urna”.
A análise desse material levou os investigadores a apontarem indícios de uma estrutura organizada para a suposta cooptação ilegal de eleitores, provocando o aprofundamento das apurações e a deflagração da nova operação nesta quinta-feira.
Jalser volta à prisão
A nova fase ocorre apenas uma semana depois da primeira prisão de Jalser. Desta vez, o candidato teve a prisão preventiva decretada e voltou a ser detido pela Polícia Federal a três dias das eleições.
As investigações concentram agora as suspeitas em uma possível estrutura que, segundo a apuração policial divulgada, teria sido organizada para favorecer eleitoralmente Jalser Renier e Dra. Taty, candidatos a deputado estadual e federal, respectivamente.

