O jornalista investigativo Adriano Wilkson publicou, nesta quarta-feira (30), uma denúncia envolvendo desapropriações realizadas durante a gestão de Daniel Santos, candidato ao Governo do Pará, à frente da Prefeitura de Ananindeua. Segundo o jornalista, documentos públicos analisados por ele indicam que uma empresa ligada ao empresário Alexandre José da Silva Souza, conhecido como “Caranga”, recebeu pelo menos R$ 28 milhões em 2025 em indenizações por imóveis desapropriados pelo município.
A reportagem apresentada por Wilkson parte de um terreno de aproximadamente 8 mil metros quadrados localizado no bairro Icuí-Guajará. De acordo com a apuração divulgada pelo jornalista, Daniel assinou, em janeiro de 2025, decreto para desapropriar a área sob a justificativa de utilizá-la para a construção de uma escola.
Wilkson exibiu na publicação o que afirma ser o comprovante de um pagamento de R$ 3,2 milhões em recursos públicos destinado ao proprietário da área.
O beneficiário, segundo a denúncia, seria Alexandre José da Silva Souza, identificado pelo jornalista como proprietário da empresa AJ da Silva Souza e conhecido em Ananindeua como “Caranga”.
Jornalista aponta R$ 28 milhões em desapropriações
A apuração de Adriano Wilkson sustenta que o pagamento pelo terreno não teria sido um caso isolado. Segundo relatório citado por ele e elaborado a partir de dados da Prefeitura de Ananindeua, a empresa ligada a Caranga teria recebido, somente em 2025, aproximadamente R$ 28 milhões em processos de desapropriação de imóveis considerados de interesse público pelo município.
A denúncia também reconstrói relações profissionais e políticas envolvendo o empresário.
Segundo Wilkson, registros do Diário Oficial indicariam que Caranga trabalhou na Prefeitura de Ananindeua em 2013 e tinha como chefe Alexandre Gomes, que naquele período ocupava a Secretaria Municipal de Cultura.
Posteriormente, quando Gomes se tornou vereador, Caranga teria sido contratado como assessor na Câmara Municipal de Ananindeua, permanecendo no cargo por aproximadamente cinco anos.
Wilkson afirma ainda que dados eleitorais mostram Caranga como doador de campanhas de Alexandre Gomes. A publicação sustenta que, posteriormente, Gomes se aproximou politicamente de Daniel Santos e chegou ao comando da Secretaria Municipal de Habitação.
É justamente essa relação que o jornalista coloca no centro dos questionamentos sobre as desapropriações.
“Para resumir, para ninguém ficar confuso, o Daniel, candidato ao governo do Pará, assinou decretos que deram ao menos 28 milhões de reais de dinheiro público para a empresa de um amigo do secretário dele e aliado político”, afirmou Wilkson na publicação.
A afirmação representa a conclusão apresentada pelo jornalista a partir dos documentos e vínculos que diz ter identificado e não, por si só, uma comprovação de irregularidade nos pagamentos.
Alexandre Gomes já foi citado em outra investigação
O nome de Alexandre Gomes também apareceu recentemente em outro caso envolvendo desapropriações em Ananindeua.
Reportagem publicada pelo Metrópoles em 22 de setembro, com base em denúncia do Ministério Público, informou que Gomes e outras dez pessoas foram denunciados em um suposto esquema envolvendo R$ 21,7 milhões. Segundo a publicação, um idoso de 77 anos teria sido induzido a assinar documentos utilizados em uma desapropriação apontada como fraudulenta.
A existência dessa outra investigação, contudo, não comprova as suspeitas levantadas agora por Adriano Wilkson nem demonstra, isoladamente, irregularidade nas desapropriações citadas na nova denúncia.
Terreno destinado a escola também é questionado
Outro ponto levantado pelo jornalista diz respeito à finalidade dada ao terreno de 8 mil metros quadrados no Icuí-Guajará.
Segundo Wilkson, apesar da desapropriação e do pagamento de R$ 3,2 milhões, a escola que teria justificado a aquisição da área ainda não havia sido construída. Para sustentar a afirmação, ele apresentou imagens que, segundo relatou, foram enviadas recentemente por um seguidor e mostrariam o terreno sem a obra prevista.
Denúncia é baseada em documentos públicos, diz jornalista
Ao encerrar a publicação, Adriano Wilkson ressaltou que as informações apresentadas foram levantadas a partir de registros públicos e destacou que os envolvidos têm direito à defesa.
“É claro que todo mundo é inocente até que se prove o contrário e todas as pessoas citadas aqui têm o direito de se defender. Mas essa reportagem foi toda baseada em dados públicos e disponíveis para consulta de qualquer um”, afirmou.
Os fatos apresentados pelo jornalista constituem questionamentos e alegações que ainda precisam ser confrontados com a íntegra dos processos administrativos de desapropriação e com as manifestações dos envolvidos. A existência dos pagamentos, por si só, não significa que tenha ocorrido crime ou irregularidade.
O espaço permanece aberto para manifestação de Daniel Santos, Alexandre José da Silva Souza e Alexandre Gomes sobre os fatos relatados na denúncia.
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