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Aadesam soube de busca da PF antes da chegada dos agentes; computador do RH será periciado

Relatório aponta que agência recebeu notificação automática sobre ordem judicial e entregou pen drive aos policiais; equipamento apresentado como “corrompido” será analisado para verificar eventual formatação ou apagamento de dados

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A Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam) teve conhecimento antecipado de uma ordem de busca e apreensão da Polícia Federal por meio de uma notificação automática do sistema processual da Justiça Eleitoral. A informação consta em relatório elaborado pela própria PF após uma diligência realizada na sede da instituição, em Manaus.

A operação ocorreu em 3 de setembro, três dias depois de a desembargadora Nélia Caminha determinar as buscas. A medida foi adotada após a magistrada receber informações de que agentes ligados à Aadesam estariam promovendo “a destruição, a supressão e a adulteração do acervo protegido” por uma decisão anterior.

Quando os policiais chegaram à agência, o advogado da instituição informou que a Aadesam já havia sido avisada da existência da ordem judicial pelo sistema eletrônico. Segundo ele, a instituição iniciou imediatamente a reunião dos documentos requisitados e chegou a protocolar pedido para que a decisão fosse revogada.

“[A] agência tomou ciência da ordem judicial por meio de notificação automática do sistema processual (push) e […] de imediato, adotou providências para o levantamento de todo o acervo requisitado”, registra o relatório da PF.

Pen drive foi entregue à Polícia Federal

Durante a diligência, o advogado entregou voluntariamente aos policiais um pen drive que, segundo informou, reunia os documentos exigidos no mandado.

A PF registrou, porém, que não foi possível calcular no local o código de integridade — conhecido como hash — dos arquivos armazenados no dispositivo. Por isso, o pen drive foi lacrado e encaminhado para análise técnica.

O objetivo da perícia é preservar uma cópia forense e permitir posteriormente a comparação entre os arquivos fornecidos pela própria Aadesam e informações eventualmente obtidas por outras fontes.

Computador do RH estava “corrompido”

Outro ponto registrado pelos policiais durante as buscas envolve um computador atribuído ao gerente de Recursos Humanos da agência.

O equipamento foi apresentado aos agentes como “corrompido”. A Polícia Federal considerou necessária uma perícia para identificar o motivo pelo qual a máquina não estava funcionando, principalmente diante da ordem judicial que proibia modificações nos dados relacionados ao caso.

O delegado João Marcello Uchoa determinou que o computador fosse encaminhado ao Serviço Técnico-Científico da Superintendência Regional.

A análise deverá verificar se existem vestígios de formatação, exclusão de arquivos, substituição do dispositivo de armazenamento ou algum dano provocado. Caso seja possível, os peritos também deverão identificar quando eventuais alterações ocorreram.

Investigação envolve demissões e contratações

A busca foi determinada no contexto de uma apuração eleitoral relacionada a movimentações no quadro de pessoal da Aadesam.

Em 19 de agosto, a desembargadora Nélia Caminha havia ordenado que a agência apresentasse informações sobre demissões, convocações, admissões e contratações realizadas desde 1º de julho.

A determinação ocorreu após pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE), que apontou a ocorrência de demissões em massa de empregados contratados pelo regime celetista, alcançando centenas de trabalhadores.

A Justiça também proibiu a Aadesam, o Estado e seus dirigentes de apagar, modificar ou retificar arquivos e informações relacionados às admissões e aos desligamentos ocorridos a partir daquela data. A restrição alcançou ainda eventos já enviados ao eSocial, que somente poderiam ser alterados mediante autorização judicial.

PF também fez busca em imóvel apontado como comitê de Roberto Cidade

Uma nova diligência ocorreu no dia 15 de setembro. Dessa vez, policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão em um imóvel identificado como “comitê de campanha eleitoral” de Roberto Cidade, localizado no bairro Japiim, zona sul de Manaus.

No endereço, a PF encontrou materiais de campanha, envelopes e ligas. Um notebook foi apreendido.

O relatório dessa diligência também registra conhecimento prévio da decisão judicial. Segundo a PF, após o início das buscas, dois advogados representantes da coligação chegaram ao imóvel.

Um deles, Yuri Dantas Barroso, informou aos policiais que já sabia da decisão que havia autorizado a diligência porque o documento estava disponível para consulta no processo.

Os episódios constam dos relatórios produzidos pela Polícia Federal no âmbito das medidas judiciais relacionadas à apuração.

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