A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagraram, na manhã desta quarta-feira (17), uma operação para investigar suspeitas de crimes contra a administração pública. Entre os alvos está o ex-secretário de Economia do Distrito Federal, Ney Ferraz, além de um servidor da pasta cuja identidade não foi divulgada.
Segundo os órgãos de investigação, o caso apura a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. As investigações tiveram início em fevereiro de 2025, após a identificação de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica formalmente declarada pelos investigados.
Durante a operação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços localizados nas regiões de Planaltina e Noroeste, além de diligências realizadas na sede da Secretaria de Economia do Distrito Federal.
De acordo com a investigação, uma das situações que chamou a atenção dos órgãos de controle foi a aquisição de roupas de alto valor utilizando dinheiro em espécie, o que teria levantado suspeitas sobre a origem dos recursos movimentados pelo grupo.
Histórico de condenações
Advogado e servidor público federal vinculado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ney Ferraz ocupou cargos estratégicos na administração do Distrito Federal durante a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
Ao longo da carreira na administração pública local, presidiu o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) e o Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Distrito Federal (Inas), além de ter comandado as secretarias de Planejamento, Orçamento e Administração e de Economia.
Em fevereiro de 2025, Ney Ferraz e sua esposa foram condenados por lavagem de dinheiro e ocultação de bens em investigação relacionada ao período em que ele esteve à frente do Iprev-DF, entre 2019 e 2022. Na ocasião, ele foi absolvido da acusação de corrupção.
Posteriormente, em julho de 2025, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) reformou a decisão e condenou o ex-secretário a nove anos e nove meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações daquele processo, Ferraz teria recebido aproximadamente R$ 1,6 milhão em propina. À época, ele negou as acusações e informou que recorreria da decisão junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Após a condenação em segunda instância, em agosto de 2025, Ney Ferraz pediu exoneração do cargo de secretário de Economia do Distrito Federal.
Até a publicação desta reportagem, a defesa do ex-secretário não havia se manifestado sobre a operação desta quarta-feira.

