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PMs acusados de homicídios, milícia e ligação com facções são transferidos no AM

Nova unidade prisional na BR-174 passa a funcionar com reforço de segurança e controle administrativo mais rígido

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Mais de 70 policiais militares presos foram transferidos, nesta terça-feira (12), para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), na BR-174, entre eles agentes considerados de alta periculosidade pela própria corporação. O grupo reúne policiais investigados ou condenados por homicídios, pistolagem, tráfico de drogas, atuação para facções criminosas e formação de milícia em Manaus.

A transferência ocorreu após determinação da Justiça e marcou a desativação do antigo Núcleo Prisional da PMAM, no bairro Monte das Oliveiras, zona norte da capital. Segundo informações apuradas junto ao comando-geral da Polícia Militar, parte dos custodiados utilizava a fragilidade da antiga estrutura para sair da unidade e cometer crimes fora do presídio.

A operação terminou no início da tarde, após cerca de seis horas de atraso e protestos de familiares dos presos em frente à unidade. Três ônibus foram usados no transporte dos policiais militares, sob escolta de equipes do Batalhão de Choque, Rocam, Força Tática e agentes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). A ação faz parte da Operação Sentinela Maior, coordenada pelo Ministério Público do Amazonas, PMAM e Seap.

Após a intervenção do Choque dentro da antiga unidade, dados da Secretaria de Segurança Pública apontaram redução nos índices de homicídios registrados em Manaus. A suspeita das forças de segurança é que parte dos policiais presos continuava atuando em crimes ligados a execuções e apoio armado a organizações criminosas mesmo custodiada.

Familiares realizaram protesto - Foto: Reprodução/G1 AM.
Familiares realizaram protesto – Foto: Reprodução/G1 AM.
PMs envolvidos em crimes violentos

Entre os nomes apontados pela corporação como de maior risco está o cabo Bento Luciano de Souza. Preso desde 2018 durante a operação Milícia Dourada, da Polícia Civil do Amazonas, ele foi investigado por participação no roubo de ouro de uma residência na Ponta Negra, zona oeste de Manaus. O policial também já respondia a processos na Justiça Militar antes da prisão. Conforme apurado pela reportagem, o processo de expulsão dele da PM está em fase final.

Outro nome considerado de alta periculosidade é o do soldado Bruno Cezanne Pereira. Em fevereiro de 2024, ele foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão pelo homicídio qualificado de um colega da própria Polícia Militar. Em março deste ano, acabou absolvido pelo Tribunal do Júri em um processo que investigava tentativas de homicídio e formação de milícia ocorridas em 2015, na capital amazonense.

Mesmo com a absolvição nesse caso, Bruno Cezanne segue preso por outras condenações e investigações. Levantamento do Tribunal de Justiça do Amazonas aponta ao menos 56 processos vinculados ao nome do policial militar.

Também está entre os custodiados o sargento Saimon Macambira Jezini, denunciado pelo Ministério Público do Amazonas como mentor intelectual do atentado contra o músico Eduardo de Souza Oliveira, conhecido como “Dubarranco”. O ataque aconteceu em agosto de 2025, no bairro Parque 10, e atingiu ainda a esposa do músico e a filha do casal, de quatro anos.

Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por ciúmes. Saimon foi preso em outubro do ano passado durante a operação Desbarranco. Na casa dele, policiais apreenderam mais de 20 armas e grande quantidade de munição. O militar vai responder a júri popular por tentativa de homicídio.

Os policiais militares Bento, Luciano e Saimon estão entre os mais perigosos - Foto: Reprodução.
Os policiais militares Bento, Luciano e Saimon estão entre os mais perigosos – Foto: Reprodução.
Fuga de 23 PMs levou à mudança

A nova unidade da Polícia Militar funciona no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus, ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na BR-174. Segundo a Seap, o espaço recebeu adaptações para funcionar como unidade formal de custódia de policiais militares presos, com reforço na segurança e controle administrativo mais rígido.

A transferência dos custodiados ocorre meses após a fuga de 23 policiais militares registrada em fevereiro deste ano no antigo núcleo prisional da PM. Durante vistoria de rotina, a corporação identificou a ausência dos presos. Parte deles retornou espontaneamente ainda na mesma noite.

O caso levou à prisão de dois policiais militares suspeitos de facilitar a saída dos detentos. O então responsável pela unidade, major Galeno Edmilson de Souza Jales, também foi preso durante as investigações. Dias depois, o governador Wilson Lima assinou decreto determinando a exclusão do oficial da Polícia Militar do Amazonas.

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