InícioParáReforma administrativa em Belém acende alerta sobre direitos de servidoras municipais

Reforma administrativa em Belém acende alerta sobre direitos de servidoras municipais

Sessão especial na Câmara debate impactos das mudanças sobre estabilidade, salários e condições de trabalho

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A reforma administrativa da Prefeitura de Belém voltou ao centro do debate público nesta terça-feira (28), durante sessão especial realizada pela Câmara Municipal para discutir os impactos das mudanças sobre as mulheres que atuam no serviço público municipal. A iniciativa foi proposta pela vereadora Marinor Brito (PSOL), presidente da Comissão da Mulher da Casa, e reuniu representantes de sindicatos ligados ao Fórum dos Servidores Municipais.

O encontro ocorreu no plenário da Câmara, na Travessa Curuzu, e teve como foco os efeitos imediatos da reforma, já aprovada pelo Executivo e atualmente questionada na Justiça. Entre os principais pontos debatidos estão as novas regras de avaliação de desempenho, que passam a incluir critérios subjetivos, como “comportamento”, além da possibilidade de serem conduzidas por chefias indicadas politicamente.

Segundo a vereadora Marinor Brito, a medida representa um risco à segurança funcional das servidoras. “A reforma fragiliza o que a servidora pública mais precisa: segurança para trabalhar sem medo. Quando ‘comportamento’ vira critério de avaliação nas mãos de chefes indicados politicamente, não estamos falando de meritocracia. Estamos falando de controle e intimidação”, afirmou.

Representantes sindicais e participantes da sessão apontaram que as mudanças atingem diretamente a estabilidade, a remuneração e as condições de trabalho das servidoras municipais. Entre as preocupações está a possibilidade de uso das avaliações como instrumento de pressão, perseguição administrativa e assédio moral no ambiente de trabalho.

No campo salarial, a reforma prevê alterações na estrutura remuneratória, como o fim do efeito cascata das gratificações, a incorporação do adicional de escolaridade ao salário-base e a criação da Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada (VPNI). De acordo com as entidades, as medidas podem resultar em perdas financeiras e insegurança sobre a remuneração futura, além de gerar dúvidas quanto à manutenção de adicionais de insalubridade e periculosidade.

Outro ponto criticado é a extinção de direitos e cargos. A proposta elimina a licença para natimorto, a progressão vertical, a progressão para servidoras readaptadas e 32 cargos efetivos, incluindo o cargo de professor pedagógico. A reforma também amplia a carga horária, permite o fracionamento das férias e condiciona reajustes e progressões à disponibilidade orçamentária e à decisão discricionária do Executivo.

Durante o debate, também foi questionada a criação do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no âmbito funcional. Para as entidades presentes, o mecanismo pode ser utilizado como forma de pressão sobre as servidoras para a regularização de situações administrativas.

Ao final da sessão, foi definido o encaminhamento formal das denúncias e propostas a órgãos nacionais e internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Comissão da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Promotoria da Mulher do Ministério Público do Estado do Pará e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

A mobilização, segundo os participantes, busca ampliar o debate para além do âmbito municipal, diante da avaliação de que a reforma pode atingir direitos trabalhistas assegurados por legislações nacionais e convenções internacionais.

A sessão integra a atuação da Comissão da Mulher da Câmara de Belém, que vem acompanhando os desdobramentos da reforma administrativa e articulando ações com sindicatos e movimentos sociais em defesa dos direitos das servidoras públicas.

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