O ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de inquérito para investigar o deputado federal Adail Filho (MDB) e o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. A decisão leva o caso ao Supremo e amplia o alcance das apurações iniciadas após apreensão de R$ 1,2 milhão em espécie no Aeroporto de Brasília.
A investigação ganhou novo patamar após Moraes apontar indícios que, segundo a decisão, conectam o parlamentar e o prefeito a transações financeiras suspeitas e possíveis benefícios decorrentes do esquema investigado. O ministro também afastou o desmembramento do caso e manteve a apuração concentrada no Supremo.
A origem do inquérito remonta à prisão de três empresários amazonenses flagrados com o dinheiro em malas durante fiscalização da Polícia Federal. As apurações passaram a relacionar o grupo a contratos com a Prefeitura de Coari e à suspeita de uso de empresas em fraudes licitatórias.
Na decisão, Moraes menciona documentos e aparelhos apreendidos que teriam revelado repasses financeiros ligados aos investigados, além de citar o envio de emendas parlamentares destinadas ao município administrado por Adail Pinheiro.
PF apura contratos e movimentações financeiras
A suspeita sob investigação envolve possível uso de empresas contratadas pelo município para alimentar operações financeiras atribuídas ao esquema. A Polícia Federal também apura a relação dos empresários presos com contratos públicos em Coari.
Ao fundamentar a abertura do inquérito, Moraes destacou indícios de ligação entre os fatos apurados e o exercício do mandato de Adail Filho, ponto que levou o caso a permanecer no STF.
Em dezembro do ano passado, o deputado negou envolvimento com os empresários e afirmou que apenas prestou apoio institucional a um dos investigados. Com a decisão do Supremo, a apuração entra em nova fase e passa a mirar formalmente pai e filho.


