A declaração feita em sessão do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) projetou nacionalmente o nome da desembargadora Eva do Amaral Coelho sobre a remuneração e benefícios da magistratura. Ao criticar restrições impostas a verbas indenizatórias, a magistrada afirmou que a categoria poderia caminhar para situação comparável a “regime de escravidão”, fala que repercutiu após a divulgação de dados salariais da própria desembargadora.
Com remuneração líquida de R$ 91,2 mil em março, segundo o Portal da Transparência, Eva levantou argumentos num momento em que decisões do Supremo Tribunal Federal vêm impondo limites ao pagamento dos chamados penduricalhos. No mesmo período, registros públicos apontam rendimentos superiores a R$ 1 milhão ao longo de 2025.
Durante a sessão da 3ª Turma de Direito Penal, a magistrada afirmou que a categoria estaria perdendo direitos como auxílios e gratificações e usou a referência à escravidão ao comentar o cenário. Na mesma manifestação, também disse que a magistratura estaria “no fundo do alçapão”.
Trajetória
Em quatro décadas na magistratura paraense, Eva do Amaral Coelho passou por comarcas do interior antes de chegar ao segundo grau do TJPA, em 2020. A desembargadora ingressou na carreira em 1985 e construiu atuação em diferentes regiões do estado, com passagens por varas e jurisdições fora da capital.
No histórico da magistrada está ainda participação em fases iniciais do julgamento do Massacre de Eldorado do Carajás, caso emblemático da Justiça brasileira. Entre 2001 e 2002, conduziu atos processuais ligados ao caso antes de deixar o processo em meio a questionamentos apresentados por integrantes do MST.


