O navio mercante “MV Latifa”, de bandeira da Tanzânia, passou a ser investigado por suspeita de trabalho análogo à escravidão após ser resgatado à deriva na costa do Amapá. A embarcação ficou mais de 20 dias sem condições de navegação e chegou ao Brasil com tripulantes em situação considerada crítica. A operação foi realizada pela Marinha, que rebocou o navio até o município de Santana.
A bordo estavam oito trabalhadores, sendo sete venezuelanos e um belga. Durante o período à deriva, o grupo enfrentou escassez de alimentos, falta de água potável e falhas nos sistemas de energia, o que comprometeu as condições mínimas de sobrevivência. A situação levou órgãos federais a iniciarem apuração sobre possível abandono e exploração da tripulação.
O Ministério Público do Trabalho apontou indícios de condições degradantes no “MV Latifa”, com relatos de desgaste físico e psicológico dos tripulantes. A suspeita é de que os trabalhadores tenham sido submetidos a rotina sem assistência adequada e sem garantia de retorno ao país de origem, o que pode configurar trabalho escravo contemporâneo.
A investigação envolve também a Polícia Federal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a Capitania dos Portos. O armador do navio foi notificado e poderá ser responsabilizado, inclusive com obrigação de custear a repatriação da tripulação. O caso segue em apuração para definir responsabilidades e eventuais sanções.


