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Escola indígena de Boa Vista une robótica e língua Macuxi para fortalecer cultura e alfabetização

Projeto “Codificando na Alfabetização: Fortalecendo os Saberes Indígenas” utiliza o kit de robótica para estimular o pensamento lógico, ao mesmo tempo em que fortalece a língua materna Macuxi.

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Às vésperas do Dia dos Povos Indígenas, celebrado neste domingo, 19, a Rede Municipal de Ensino de Boa Vista reforça, na prática, o compromisso com a valorização das tradições. Na comunidade indígena Darora, a Escola Municipal Vovó Tereza da Silva desenvolve um projeto que une tecnologia e cultura no processo de aprendizagem, com uso do kit de robótica Matatalab.

Voltado para alunos do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental, o projeto “Codificando na Alfabetização: Fortalecendo os Saberes Indígenas” utiliza o kit de robótica para estimular o pensamento lógico, ao mesmo tempo em que fortalece a língua materna Macuxi.

Tecnologia a serviço da cultura

Com uma abordagem lúdica, o projeto adapta as atividades do Matatalab à realidade da comunidade. Os tradicionais comandos de programação foram transformados em palavras e expressões do cotidiano indígena, permitindo que os alunos aprendam brincando.

Responsável pela iniciativa, o professor Miller Tavares de Almeida explica que a ideia surgiu da necessidade de ir além do uso convencional do recurso tecnológico. “Adaptamos o material para fortalecer o vocabulário das crianças na língua materna. Eles trabalham a leitura, associam imagens e palavras e formam frases dentro da realidade deles. Isso contribui significativamente para o desenvolvimento da alfabetização e para a valorização dos saberes indígenas”, destacou.

Aprendizado que faz sentido

Com mapas produzidos pelo professor, os alunos aprendem, em Macuxi, nomes de animais, partes do corpo, elementos da natureza e objetos do dia a dia, como arco e flecha, tipiti, farinha e beiju.

Além disso, expressões comuns da rotina escolar também fazem parte das atividades, como pedir para beber água, ir ao banheiro e responder à chamada, tudo na língua materna.

“Eles usam palavras que fazem parte da rotina, tanto na escola quanto em casa. Isso fortalece a prática e faz com que levem esse conhecimento para além da sala de aula”, explicou o professor.

Outro detalhe que chama atenção é a personalização do material: os robôs e a torre de comando receberam cocares coloridos, simbolizando a identidade cultural dos povos indígenas.

Preservar hoje para o futuro

Miller destacou que o projeto vai além da tecnologia e tem como principal objetivo manter viva a identidade cultural das crianças. “Trabalhar a língua materna desde cedo é fundamental para que eles não percam essa conexão com a própria cultura. A gente incentiva que eles pratiquem também em casa, com a família, para que esse conhecimento não fique restrito à escola. É uma forma de preservar as raízes e garantir que essa geração leve esses saberes adiante”, afirmou.

O gestor da unidade, Cleidson Marques, reforçou o papel relevante do projeto, especialmente diante das transformações sociais. “Hoje, nossas crianças têm muito contato com a tecnologia e com o mundo externo, o que pode enfraquecer a cultura. Esse projeto vem justamente para equilibrar isso, mostrando que a tecnologia também pode ser uma aliada na preservação das nossas raízes”, afirmou.

Ele destaca ainda que a iniciativa se soma a outras ações da escola, como o ensino da língua materna, componente presente na grade curricular. “A língua materna é uma conquista importante. A escola e a comunidade trabalham juntas para fortalecer essa identidade, e projetos como esse ajudam a manter viva essa cultura nas novas gerações”, completou.

Protagonismo e entusiasmo dos alunos

O resultado aparece no envolvimento dos estudantes, que participam ativamente das atividades e demonstram entusiasmo com a proposta. “Eu gosto muito do Matatalab. É bem legal”, disse a aluna Rainelly Carneiro, de 6 anos.

O colega de turma, Andrew Willer, de 6 anos, também afirmou gostar muito do projeto. “Acho divertido. Já aprendi várias palavras”, contou.

Educação escolar indígena com qualidade e identidade

Assim como nas unidades urbanas, as escolas indígenas da rede municipal contam com o mesmo padrão de qualidade, incluindo recursos tecnológicos, além de especificidades que respeitam a realidade local, como transporte escolar, café da manhã e cardápio adaptado à alimentação tradicional.

Nessas unidades, os alunos também aprendem Macuxi e/ou Wapichana por meio do componente de Língua Materna, fortalecendo o vínculo com a cultura e a identidade dos povos originários.

Matatalab: tecnologia que ensina brincando

Matatalab é um kit educacional de robótica voltado para o ensino do pensamento computacional de forma lúdica e sem uso de telas. Por meio de blocos de comando, as crianças criam sequências e resolvem desafios, desenvolvendo habilidades como raciocínio lógico, criatividade e resolução de problemas.

Na Rede Municipal de Ensino de Boa Vista, o recurso é utilizado como ferramenta pedagógica integrada ao currículo, ampliando as possibilidades de aprendizagem e mostrando que tecnologia e educação podem caminhar juntas, inclusive na preservação da cultura.

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