O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (27), a Operação Usura para desarticular um suposto esquema de agiotagem e extorsão que teria como principais alvos servidores públicos em Manaus. Entre os investigados estão três advogados e um policial militar.
Durante a ação, um advogado foi preso por força de mandado judicial. Outro investigado acabou detido por desacato durante o cumprimento das diligências. Um terceiro suspeito continua foragido.
As investigações apontam que o grupo concedia empréstimos de até R$ 200 mil, cobrando juros considerados abusivos, que variavam entre 30% e 70% ao mês. Conforme o Gaeco, as vítimas eram submetidas a ameaças para garantir o pagamento das dívidas.
O inquérito teve início há cerca de quatro meses, após uma servidora do Poder Judiciário denunciar a atuação da organização criminosa. Na última quarta-feira (22), um policial militar também foi preso sob suspeita de integrar o esquema.
Ao todo, 24 pessoas físicas e jurídicas são investigadas. Nesta etapa da operação, a Justiça autorizou o cumprimento de dois mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão. As equipes realizaram diligências em imóveis localizados nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores, na capital amazonense.
Segundo o Gaeco, a maior parte das vítimas identificadas até o momento é formada por servidores do Poder Judiciário. Ainda não foi possível calcular o prejuízo financeiro causado pelo esquema nem estabelecer há quanto tempo a organização atuava.
Durante as buscas, os agentes apreenderam dois veículos, dinheiro em espécie, joias, documentos e aparelhos celulares. Também foi determinado o bloqueio de contas bancárias dos investigados.
De forma preliminar, aproximadamente R$ 160 mil em dinheiro foram encontrados durante a operação. O montante ainda passará por conferência oficial.
A investigação é coordenada pelo promotor de Justiça André Epifânio, responsável pelos trabalhos conduzidos pelo Gaeco.

