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Mãe e irmão de Djidja Cardoso são condenados a quase 11 anos de prisão por tráfico de drogas

: Justiça do Amazonas concluiu que grupo mantinha esquema de aquisição e distribuição de cetamina; sete pessoas foram condenadas e três absolvidas.

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A Justiça do Amazonas condenou a mãe e o irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso por tráfico de drogas e associação para o tráfico no âmbito da Operação Mandrágora. A sentença foi proferida pela juíza Roseane do Vale Cavalcante Jacinto, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes.

Cleusimar Cardoso Rodrigues, mãe de Djidja, e Ademar Farias Cardoso Neto, irmão da vítima, receberam pena de 10 anos e 11 meses de prisão, em regime inicial fechado. Também foram condenados Verônica da Costa Seixas, ex-gerente do salão Belle Femme, a 10 anos de reclusão; o médico-veterinário José Máximo Silva de Oliveira, a 10 anos e quatro meses; o personal trainer Hatus Moraes Silveira, a 10 anos e cinco meses; Bruno Roberto da Silva Lima, ex-namorado de Djidja, a oito anos e seis meses; e Sávio Soares Pereira, a nove anos de prisão.

Na mesma decisão, a magistrada absolveu Claudiele Santos da Silva, Marlisson Vasconcelos Dantas e Emicley Araújo Freitas Júnior por insuficiência de provas.

A sentença foi publicada cerca de dez meses após a anulação do julgamento anterior, que ocorreu em razão de uma falha processual reconhecida pelo Ministério Público. O processo trata exclusivamente dos crimes relacionados ao tráfico de drogas e à associação criminosa, sem analisar eventual responsabilidade pela morte de Djidja Cardoso, investigada em uma ação penal distinta.

Liderança da organização

Ao fundamentar a condenação, a juíza concluiu que Cleusimar Cardoso exercia papel de liderança na estrutura criminosa responsável pela aquisição e distribuição de cetamina.

Segundo a decisão, as investigações apontaram que ela coordenava a obtenção da droga e organizava o funcionamento do grupo, utilizando, inclusive, elementos da filosofia conhecida como “Pai, Mãe, Vida” e referências às chamadas “Cartas de Cristo” para estimular o consumo da substância e fortalecer o vínculo entre os integrantes.

A magistrada também afirmou que a residência de Cleusimar funcionava como ponto de armazenamento, preparo e distribuição da cetamina.

Outro elemento considerado na sentença foi uma conversa entre Cleusimar e Verônica da Costa Seixas sobre a possibilidade de abrir uma clínica veterinária, que serviria para facilitar a compra de cetamina e outros medicamentos de uso controlado.

Diante da posição de liderança atribuída à ré, a juíza manteve sua prisão preventiva e negou o direito de recorrer em liberdade, entendendo que sua soltura poderia favorecer a reorganização do grupo investigado.

Atuação do irmão

Na decisão, Ademar Farias Cardoso Neto foi apontado como responsável por executar parte das atividades atribuídas à organização criminosa.

De acordo com a sentença, testemunhas relataram que ele participava dos pedidos e da distribuição da cetamina ao lado da mãe. Para a magistrada, as provas demonstram que ambos atuavam de forma coordenada para manter o fornecimento contínuo da substância.

Ademar permanecerá preso preventivamente, assim como José Máximo Silva de Oliveira e Hatus Moraes Silveira.

Ex-gerente poderá recorrer em liberdade

Em relação à ex-gerente Verônica da Costa Seixas, a juíza reconheceu participação permanente na obtenção e distribuição da droga, mas autorizou que ela recorra da condenação em liberdade.

A decisão levou em consideração o fato de que Verônica responde ao processo desde setembro de 2024 sob monitoramento eletrônico e cumpriu todas as medidas cautelares impostas pela Justiça.

O mesmo benefício foi concedido a Bruno Roberto da Silva Lima e Sávio Soares Pereira, que também poderão recorrer em liberdade mediante o cumprimento das determinações judiciais. No caso de Sávio, a sentença fixou regime inicial semiaberto.

A magistrada ainda rejeitou a aplicação do chamado tráfico privilegiado, por entender que os condenados integravam uma associação criminosa estruturada.

Operação começou após morte de Djidja

As investigações tiveram início após a morte de Djidja Cardoso, encontrada sem vida em sua residência, em Manaus, no dia 28 de maio de 2024.

Durante a apuração, a Polícia Civil identificou indícios de uso recorrente de cetamina entre familiares, funcionários e pessoas próximas da ex-sinhazinha, além da existência do grupo denominado “Pai, Mãe, Vida”.

Nos dias 30 e 31 de maio daquele ano, a corporação deflagrou a Operação Mandrágora, cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão contra diversos investigados.

Ao longo da investigação, foram reunidos depoimentos, mensagens, vídeos, documentos e outros elementos que, segundo o Ministério Público, demonstravam a existência de uma estrutura organizada para adquirir, armazenar e distribuir cetamina entre os integrantes do grupo.

Após mais de dois anos de tramitação, com oitivas de testemunhas, interrogatórios e análise das provas produzidas pela acusação e pela defesa, a Justiça concluiu o julgamento do processo referente aos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

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