O Pará registrou a abertura de mais de 650 mil empresas entre janeiro de 2019 e setembro de 2026, conforme levantamento da Junta Comercial do Estado do Pará (Jucepa). Desse total, aproximadamente 420 mil registros correspondem a Microempreendedores Individuais (MEIs), 172 mil a microempresas (MEs) e 40 mil a empresas de pequeno porte (EPPs).
Os dados mostram a participação dos pequenos negócios na formalização de atividades econômicas no estado. Segundo a Jucepa, o resultado está relacionado à expansão dos setores de comércio e serviços, à ampliação das oportunidades de negócios e às mudanças nos procedimentos de registro empresarial.
Entre as atividades com maior quantidade de empresas abertas estão o comércio varejista de roupas e acessórios, os serviços de promoção de vendas e os estabelecimentos que comercializam mercadorias diversas, principalmente produtos alimentícios.
Digitalização facilita abertura de empresas
A modernização dos serviços de registro e a redução de exigências burocráticas estão entre os fatores apontados para o crescimento da formalização empresarial no Pará.
A adoção de procedimentos digitais também contribui para simplificar a abertura de negócios, especialmente aqueles classificados como atividades de menor risco.
Apesar do volume de novos registros, a Junta Comercial destaca a necessidade de assegurar condições para a continuidade das atividades empresariais.
“O desafio não se limita a facilitar a abertura de empresas, envolve criar condições para que os negócios mantenham suas atividades após o encerramento de ciclos excepcionais de investimentos e grandes eventos”, afirmou o gerente de tecnologia da Jucepa, Thiago Pacheco.
Universidade estadual incentiva empreendedorismo entre servidores
Entre as iniciativas voltadas à criação de negócios está o programa Servidor Empreendedor, desenvolvido pela Universidade do Estado do Pará (Uepa).
A ação foi proposta pela Pró-Reitoria de Gestão e Planejamento (Progesp), em parceria com o Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da instituição, e busca estimular servidores a desenvolver atividades empresariais a partir de suas habilidades e conhecimentos.
Segundo o coordenador do programa, Edinelson Costa, a iniciativa oferece oportunidades para que os participantes ampliem suas competências e estabeleçam contatos profissionais.
“O empreendedorismo permite reconhecer que os servidores possuem talentos, conhecimentos e habilidades que vão além das atribuições exercidas em seus cargos. Ao incentivar essas iniciativas, criamos oportunidades para que eles desenvolvam novas competências, transformem ideias em negócios e fortaleçam redes de colaboração”, explicou.
Empresa de impressão 3D registra mais de 500 vendas durante o Círio
Um dos participantes das atividades promovidas pela Uepa é o ouvidor da instituição, Charles Peniche, que também atua como empresário no setor de impressão tridimensional.
Ele é sócio da Leve 3D, criada no início de 2026 em parceria com dois amigos. O empreendimento produz peças por meio de tecnologia de impressão em três dimensões.
A participação no programa Servidor Empreendedor contribuiu para a divulgação da marca e o contato com potenciais consumidores.
Segundo Peniche, o período do Círio de Nazaré ampliou a procura pelos produtos comercializados pela empresa. Somente em outubro, o empreendimento vendeu mais de 500 imagens.
“Estou muito feliz com o nosso empreendimento e com tudo o que estamos construindo desde o início da empresa. É gratificante ver uma ideia ganhar forma, conquistar clientes e perceber que o nosso trabalho está chegando às pessoas. Empreender tem sido uma experiência de aprendizado e realização. No período do Círio, vivemos a movimentação da economia e as oportunidades para pequenos negócios. Somente em outubro, vendemos mais de 500 imagens”, relatou.

