A nova pesquisa do Instituto Phoenix & Associados, que coloca o candidato David Almeida (Avante) em segundo lugar na corrida pelo governo do Amazonas, tem como responsável técnico o estatístico Augusto da Silva Rocha, profissional que teve o registro suspenso por 12 meses pelo Conselho Regional de Estatística da 3ª Região (Conre-3).
A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AM-04753/2026, foi realizada entre os dias 12 e 15 de setembro, com 1.315 entrevistados. O levantamento aponta Omar Aziz com 26,2%, David Almeida com 21,7%, Roberto Cidade com 19,8% e Maria do Carmo com 18,2%.
Dados e responsável suspeitos
Os percentuais, que fogem aos padrões das demais pesquisas, foram chancelados por um responsável técnico com um longo histórico de irregularidades.
Em 25 de abril de 2023, o Conre-3 manteve, por unanimidade, a suspensão do registro profissional de Augusto da Silva Rocha por 12 meses, em decisão relacionada ao Processo Administrativo Disciplinar nº 001/2022. A ata do conselho registra que a suspensão começou em 11 de outubro de 2023 e terminou em 10 de outubro de 2024.
O responsável técnico pela pesquisa, que é utilizada para inflar a candidatura de David Almeida, já esteve impedido de exercer a profissão por determinação do próprio conselho de classe. Augusto também já foi acusado pelo Ministério Público Federal, em 2022, de cometer fraudes em pesquisas de intenção de voto, manipulando dados em diferentes campanhas.
937 pesquisas
Rocha também chamou atenção pelo volume de levantamentos que chegou a supervisionar. Reportagens publicadas durante as eleições de 2020 apontaram que ele havia chegado à marca de 937 pesquisas sob sua responsabilidade, número que provocou questionamentos dentro do próprio sistema de fiscalização profissional.
O caso chegou ao Conre-3 e, posteriormente, resultou no processo disciplinar que culminou na suspensão de 12 meses, registrada oficialmente pelo conselho. O próprio Conre-3 documentou a tramitação do processo e a manutenção da penalidade.
Phoenix na Justiça
Não é a primeira vez que o Instituto Phoenix & Associados aparece no radar da Justiça Eleitoral. No Amazonas, em outubro de 2022, a Justiça Eleitoral determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa registrada pelo J.J. Coelho/Instituto Phoenix & Associados.
A decisão apontou irregularidades relacionadas à empresa contratante, incluindo a situação de CNPJ inapto na Receita Federal e a ausência de nota fiscal de serviço no registro da pesquisa.
O histórico mostra que questionamentos sobre levantamentos associados ao Phoenix não são novidade no processo eleitoral amazonense.
Número conveniente
Nesse contexto de dados com suspeita de adulteração em vários levantamentos pelo país, surge a pesquisa divulgada nesta semana, colocando David Almeida com 21,7% e apresentando o candidato do Avante em uma posição de segundo turno.
A pesquisa foi contratada pela Ascension Tech Ltda., pelo valor declarado de R$ 9 mil, e tem como executora a J.J. Coelho Ltda., empresa que utiliza o nome Instituto Phoenix & Associados.
A ficha técnica identifica Augusto da Silva Rocha, registro Conre nº 7655, como estatístico responsável.
Peso político
O levantamento ganhou repercussão justamente na reta final da campanha. Nesta sexta-feira (18/9), David Almeida participou de uma caminhada na Redenção, e o resultado da pesquisa foi mencionado por integrantes da campanha.
Isso torna ainda mais relevante conhecer quem está por trás da assinatura técnica e o histórico profissional do responsável pelo levantamento.

