Um técnico em radiologia do Hospital Geral de Roraima (HGR) foi preso em flagrante na noite desta segunda-feira (1º), suspeito de participar de um esquema de cobrança irregular por exames de ressonância magnética realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a Secretaria de Segurança Pública (Sesp), o servidor e outros dois intermediários estariam cobrando R$ 600 de pacientes para facilitar a realização dos procedimentos.
A operação foi realizada após denúncia recebida pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), que acionou as forças de segurança para acompanhar uma situação envolvendo uma paciente que procurou atendimento na unidade hospitalar.
De acordo com a secretária-adjunta da Sesau, Juliana Gomes, a paciente chegou ao hospital para realizar o exame e foi abordada por um intermediário, que recebeu o pagamento e a orientou a seguir para o atendimento. Conforme o relato, o exame foi realizado e a paciente só teria sido liberada após a confirmação da transferência via PIX.
Diante das informações, a Sesau acionou a Secretaria de Segurança Pública, que iniciou as diligências dentro da unidade hospitalar.
Segundo a secretária de Segurança Pública, Eliane Gonçalves, o servidor foi abordado e confessou espontaneamente a prática criminosa. Durante a ação, os agentes tentaram identificar e localizar outros dois suspeitos apontados como integrantes do esquema, mas eles não foram encontrados.
As equipes conseguiram identificar os endereços dos investigados e solicitaram à Justiça a prisão preventiva dos demais envolvidos.
Para evitar qualquer prejuízo ao funcionamento do hospital, a operação foi realizada de forma discreta. De acordo com a secretária, os agentes atuaram à paisana e aguardaram a substituição do servidor no setor antes de efetuar sua retirada do local.
“O atendimento aos pacientes foi preservado durante toda a operação. O suspeito foi conduzido sem causar transtornos ou interrupções nos serviços prestados pela unidade”, informou Eliane Gonçalves.
Investigação pode identificar novos casos
A Secretaria de Estado da Saúde informou que irá ampliar as ações de fiscalização para identificar possíveis práticas semelhantes em outras unidades da rede estadual.
Juliana Gomes destacou que a comercialização de serviços oferecidos pelo SUS é ilegal e que medidas serão adotadas para combater esse tipo de conduta.
“Todos os serviços ofertados pelo SUS são gratuitos. Não será tolerada qualquer prática que prejudique pacientes ou interfira no acesso aos tratamentos”, afirmou.
Segundo a Sesau, a maioria dos pacientes que realiza exames de ressonância magnética no HGR é formada por pessoas que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou estão em tratamento oncológico, o que torna ainda mais grave qualquer interferência no acesso aos procedimentos.
O caso segue sob investigação para apurar a extensão do esquema e identificar possíveis outros envolvidos.

