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MPRR denuncia grupo investigado por tráfico de drogas e lavagem de R$ 77,8 milhões em Roraima

Organização criminosa teria movimentado recursos por meio de empresas de fachada e utilizado imóvel de alto padrão como depósito de 270 quilos de skunk apreendidos pela Polícia Civil.

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O Ministério Público de Roraima (MPRR) denunciou, nesta sexta-feira (22), integrantes de uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A ação foi ajuizada pela Promotoria de Justiça Especializada em Tráfico de Drogas, Crimes Decorrentes de Organizações Criminosas e Crimes de Lavagem de Capitais.

De acordo com a denúncia, o grupo atuava de forma estruturada e permanente, ao menos desde 2024, com divisão de funções voltadas ao tráfico de entorpecentes e à ocultação de recursos obtidos ilegalmente. As investigações apontam que a organização era liderada pelos irmãos identificados pelas iniciais N.D.F.M. e G.F.M., responsáveis pela coordenação das operações, articulação dos integrantes, disponibilização de imóveis, veículos e recursos financeiros, além da movimentação e dissimulação de valores provenientes da atividade criminosa.

Segundo o MPRR, um imóvel de alto padrão localizado no bairro Caranã, em Boa Vista, era utilizado como depósito de drogas. No local, a Polícia Civil apreendeu cerca de 270 quilos de skunk, distribuídos em 260 tabletes. O entorpecente estava escondido entre sacos de estopa e estrume bovino, estratégia que, conforme as investigações, tinha o objetivo de mascarar o odor da droga.

Ainda conforme o órgão ministerial, o material ilícito era transportado por via aérea até pistas clandestinas em Roraima. A partir desses pontos, integrantes da organização realizavam o armazenamento, transporte e distribuição da droga. Conversas extraídas de aparelhos celulares, movimentações financeiras, relatórios telemáticos e apreensões subsidiaram a denúncia apresentada à Justiça.

A investigação também identificou a atuação de T.S.L.S., esposa de um dos investigados, apontada como integrante do núcleo patrimonial e logístico da organização. Segundo o MPRR, ela administrava o imóvel utilizado como “mocó” para armazenamento dos entorpecentes, controlava o acesso ao local e teria utilizado uma empresa de fachada para recebimento de recursos ilícitos, incluindo R$ 510 mil relacionados à carga apreendida. Imóveis alugados por meio de plataformas digitais também teriam sido utilizados como pontos de encontro e apoio operacional do grupo.

As apurações indicam ainda movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados. Conforme o MPRR, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 77,8 milhões por meio de empresas de fachada, contas de terceiros, transferências fracionadas e aquisição de bens registrados em nome de interpostas pessoas, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.

O promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto destacou a relevância da denúncia no enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, os elementos reunidos apontam para uma organização criminosa estruturada, sendo a responsabilização dos envolvidos uma medida essencial para interromper a cadeia criminosa e impedir a continuidade das atividades ilegais.

Na ação, o MPRR requer a condenação dos denunciados pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação atribuída a cada investigado.

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