A pré-candidatura do ex-prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (PL), ao Governo de Roraima na eleição suplementar, anunciada na noite desta sexta-feira, 8, começa a sinalizar novos arranjos no cenário político de Roraima e possíveis alianças inesperadas.
Arthur Henrique, que integra um grupo político oposto ao do ex-governador Antonio Denarium (PP), recebeu demonstração pública de apoio do deputado Lucas Souza (UB), sobrinho do governador cassado.
“Só de 90% da classe política entrar na Justiça com medo de disputar eleição direta com você, já mostra de que lado a população deve estar! Sou Arthur 22”, escreveu o deputado em uma publicação de Arthur Henrique.
Para aliados políticos, o gesto público do parlamentar sinaliza que o grupo político do ex-governador deve apoiar em massa e caminhar com o ex-prefeito na disputa suplementar pelo Governo do Estado.
O cenário, até poucos meses atrás, era considerado improvável. O ex-governador Antonio Denarium e Arthur Henrique integravam grupos políticos completamente distintos e chegaram a se enfrentar em eleições recentes. Em 2022, Denarium disputou o Governo do Estado contra Teresa Surita (MDB), madrinha política de Arthur Henrique.
Já em 2024, Arthur Henrique derrotou Catarina Guerra (UB) por ampla margem de votos na disputa pela Prefeitura de Boa Vista. Catarina era a candidata apoiada por Denarium nas eleições municipais.
A expectativa, agora, é de que a candidatura de Arthur Henrique receba ainda mais apoio de políticos de outros partidos ligados à base do ex-governador, que se encontra fragmentada após a cassação.
Justiça
Partidos políticos acionaram o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) para questionar pontos da eleição suplementar ao Governo do Estado, marcada após a cassação do governador Antonio Denarium pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O Agir contestou a realização do pleito em curto prazo, alegando dificuldades logísticas, custos elevados e risco de confusão para o eleitorado às vésperas das eleições gerais. A legenda também argumenta que o calendário reduzido comprometeria convenções partidárias, campanhas e a ampla participação democrática.
Já o Republicanos questiona regras definidas pelo TRE-RR sobre desincompatibilização de candidatos. O partido critica o prazo de apenas 24 horas após as convenções para que ocupantes de cargos públicos deixem os cargos, sustentando que a exigência não poderia ser alterada por resolução do tribunal.
O MDB, comandado em Roraima pelo ex-senador Romero Jucá, pediu ingresso na ação apresentada pelo Republicanos, alegando interesse direto na discussão sobre as normas da eleição suplementar.



