A Polícia Civil de Roraima deflagrou nas primeiras horas desta quarta-feira, 11, a Operação Geminus, que investiga um grupo suspeito de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. A ação resultou no cumprimento de mandados judiciais, na prisão de investigados, apreensão de dinheiro, joias, veículos e bens de alto valor, além do bloqueio de até R$ 77 milhões em contas bancárias ligadas aos envolvidos.
A operação foi conduzida pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes) e pelo DENARC (Departamento de Narcóticos). Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em Boa Vista e dois mandados de busca em Manaus, no Amazonas, com apoio da Polícia Civil daquele estado. Também foram expedidos três mandados de prisão preventiva. Dois foram cumpridos e um permanece em aberto.
Em Boa Vista, as diligências ocorreram nos bairros Paraviana, Cauamé, Jardim Tropical, Caranã, Doutor Sílvio Botelho, Operário, Asa Branca e Jardim Primavera.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após a apreensão de 270 quilos de skunk, conhecida como “supermaconha”, realizada em 6 de novembro de 2024 pela DRE com apoio do GATE (Grupo de Ações Táticas) da PMRR.
“Essa operação é resultado de um trabalho investigativo minucioso da DRE que se prolongou por mais de um ano. O objetivo foi identificar os verdadeiros responsáveis por uma grande carga de drogas apreendida anteriormente e, também, desarticular toda a estrutura financeira utilizada pelo grupo para lavar o dinheiro do tráfico”, explicou o delegado titular da DRE, Julio Cesar da Rocha.
De acordo com o delegado, após a apreensão da droga em um imóvel no bairro Caranã, as equipes aprofundaram as diligências e identificaram os responsáveis pelo carregamento, a logística utilizada pelo grupo e a estrutura de ocultação de valores.
“Identificamos os donos da droga, a logística utilizada pelo grupo, inclusive com o uso do modal aéreo, por meio de aeronaves, e, também, a forma como o dinheiro era lavado para dar aparência de legalidade aos valores provenientes do tráfico”, detalhou.
As investigações apontam que os suspeitos utilizavam empresas de fachada para ocultar a origem do dinheiro obtido com o tráfico. Entre os empreendimentos identificados estão empresas do ramo de exportação de alimentos e estabelecimentos ligados ao segmento de churrascarias em Boa Vista, usados para movimentação financeira e lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil informou que o delegado responsável pelo caso representou judicialmente pela expedição de mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao grupo e pela prisão preventiva de três empresários apontados como líderes da organização.
Foram presos G.F.M., de 29 anos, e a mulher dele, T.S.L.S., de 30 anos. O irmão do acusado não foi localizado em Boa Vista e é considerado foragido.
Durante as buscas realizadas nesta quarta-feira, os policiais apreenderam joias, bolsas de marcas de alto valor, veículos, documentos e diversos telefones celulares, além de mais de R$ 30 mil em dinheiro. Também foram encontradas cédulas estrangeiras provenientes da Bolívia, Colômbia, Guiana e Venezuela. Além das apreensões físicas, a Justiça determinou a indisponibilidade de bens e o bloqueio de até R$ 77 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados.
Prisão em flagrante por crime contra a saúde pública
Durante o cumprimento de um dos mandados de busca no bairro Paraviana, em um imóvel ligado aos principais alvos da investigação, policiais encontraram grande quantidade de medicamentos de uso terapêutico.
No local, foram presos em flagrante três pessoas pelo crime contra a saúde pública, previsto no artigo 273 do Código Penal. Foram autuados a empresária R.S.S., de 49 anos, mãe da investigada, além de T.S.L.S., de 30 anos, e G.F.M., de 29 anos.
Entre os materiais apreendidos estavam diversas unidades de Tirzepatida, Lipoless e Retatrutide, substâncias utilizadas em tratamentos médicos e frequentemente associadas a processos de emagrecimento.
De acordo com a investigação, há indícios de que os medicamentos tenham origem no Paraguai, o que levanta suspeitas de entrada irregular desses produtos no país.
O delegado destacou que, além da autuação em flagrante pelo crime contra a saúde pública, T.S.L.S. e G.F.M. também tiveram cumpridos contra si os mandados de prisão preventiva expedidos no âmbito da Operação Geminus.
Todo o material apreendido foi encaminhado para análise e perícia. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar o rastreamento financeiro do grupo. Os presos serão apresentados nesta quinta-feira, 12, em audiência de custódia.
Origem do nome da operação
O nome da operação, Geminus, deriva do latim e significa “gêmeos”. Segundo a Polícia Civil, a denominação faz referência à atuação de irmãos identificados nas investigações como integrantes do grupo criminoso, que atuariam conjuntamente na estrutura do tráfico de drogas e na movimentação financeira do esquema.
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