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PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025 e registra quinto ano consecutivo de expansão

Resultado foi impulsionado pela agropecuária e confirma maior nível da série histórica iniciada em 1996; alta dos juros desacelerou consumo e investimentos no segundo semestre

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A economia brasileira fechou 2025 com crescimento de 2,3%, após avançar 0,1% no quarto trimestre em comparação com o terceiro. Com o resultado, o país alcança o quinto ano consecutivo de expansão econômica. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em valores correntes, o Produto Interno Bruto (PIB) totalizou R$ 12,7 trilhões no ano passado. O PIB per capita atingiu R$ 59.687, com crescimento real de 1,9% frente a 2024, já descontada a inflação. Tanto o PIB total quanto o per capita alcançaram o maior patamar da série histórica iniciada em 1996.

Nos últimos cinco anos, o desempenho da economia brasileira foi o seguinte:

  • 2021: 4,8%

  • 2022: 3,0%

  • 2023: 3,2%

  • 2024: 3,4%

  • 2025: 2,3%

Desempenho por setor

Pela ótica da produção, todas as grandes atividades econômicas registraram crescimento em 2025, com destaque para a agropecuária.

  • Agropecuária: 11,7%

  • Serviços: 1,8%

  • Indústria: 1,4%

O avanço da agropecuária foi impulsionado pelo aumento da produção e ganhos de produtividade, especialmente nas culturas de milho (23,6%) e soja (14,6%), ambas com safras recordes. O setor respondeu por 32,8% do crescimento total do PIB no ano.

Na indústria, o principal destaque foi a extração de petróleo e gás, que levou as indústrias extrativas a crescerem 8,6%. A construção civil apresentou variação positiva de 0,5%.

No setor de serviços, todas as atividades tiveram expansão: informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras (2,9%), transporte e armazenagem (2,1%), outras atividades de serviços (2,0%), atividades imobiliárias (2,0%), comércio (1,1%) e administração pública (0,5%).

As quatro atividades que mais contribuíram para o crescimento — agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviços e informação e comunicação — responderam por 72% da expansão econômica de 2025.

Consumo e investimentos

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025, sustentado pela melhora do mercado de trabalho, expansão do crédito e programas de transferência de renda. Apesar da alta, houve desaceleração em relação a 2024, quando o segmento avançou 5,1%.

Segundo o IBGE, a perda de ritmo está relacionada à política monetária contracionista, marcada pelo elevado patamar dos juros. O consumo do governo teve alta de 2,1%.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos, cresceu 2,9%, puxada pela maior importação de bens de capital, desenvolvimento de softwares e desempenho da construção.

A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB em 2025, ligeiramente abaixo dos 16,9% registrados em 2024. Já a taxa de poupança subiu de 14,1% para 14,4%.

Quarto trimestre

No quarto trimestre, o PIB avançou 0,1% frente ao terceiro. Pela ótica da produção, serviços cresceram 0,8% e a agropecuária, 0,5%, enquanto a indústria recuou 0,7%.

Pela ótica da despesa, o consumo do governo aumentou 1%, o das famílias ficou estável e os investimentos recuaram 3,5%.

“O PIB ficou estável em relação ao terceiro trimestre, mesmo com a queda nos investimentos, por conta da estabilidade do consumo das famílias e do crescimento no consumo do governo”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Impacto da política monetária

A desaceleração da economia em 2025 ocorreu em meio ao ciclo de alta da taxa básica de juros conduzido pelo Banco Central do Brasil. Em setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou a elevação da Selic, que saiu de 10,5% ao ano e atingiu 15% em junho de 2025, patamar mantido até o momento.

A medida buscou conter a inflação, cujo índice oficial, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), permaneceu por 13 meses fora do intervalo de tolerância da meta de 3% ao ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Juros elevados encarecem o crédito e desestimulam consumo e investimentos, reduzindo a demanda e contribuindo para conter a inflação. Como efeito colateral, podem impactar o ritmo de geração de empregos.

Apesar do cenário restritivo, 2025 encerrou com a menor taxa de desemprego da série histórica, segundo o IBGE.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) representa o total de bens e serviços finais produzidos em determinado território ao longo de um período. O indicador permite avaliar o desempenho da economia e compará-lo internacionalmente.

O cálculo considera diversas pesquisas setoriais e mede os bens e serviços pelos preços finais ao consumidor, incluindo impostos. Embora seja um dos principais indicadores econômicos, o PIB não reflete diretamente a distribuição de renda nem as condições de vida da população.

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