InícioAmazônia LegalRondôniaTCE aponta sobrepreço de R$ 31 milhões em contrato de lixo em...

TCE aponta sobrepreço de R$ 31 milhões em contrato de lixo em Porto Velho

Auditoria revela que EcoRondônia recebia até R$ 2,6 milhões a mais por mês na coleta de resíduos

Publicado em

O Tribunal de Contas de Rondônia (TCE-RO) publicou no Diário Oficial desta segunda-feira, 22, o resultado de uma auditoria aberta para apurar possíveis prejuízos no contrato da Prefeitura de Porto Velho com a EcoRondônia, do Grupo Marquise, responsável pela coleta e destinação do lixo por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). O levantamento apontou sobrepreço, falhas na execução dos serviços e obras paralisadas, além de risco de prejuízo anual superior a R$ 31 milhões para o município.

Segundo o relatório, a auditoria analisou a execução do contrato nº 019/PGM/2024, já considerado nulo pelo próprio tribunal em 2024. Apesar disso, a empresa iniciou a prestação de serviços.

“A auditoria buscou materializar eventuais prejuízos potenciais ou incorridos pelo Município de Porto Velho (financeiros) e pelos usuários (prestação inadequada de serviços públicos) em virtude do início da execução contratual em desconformidade com os encargos acometidos à empresa EcoRondônia”, diz o docuemnto.

Entre as irregularidades encontradas estão diferenças entre a proposta apresentada e a operação real. Os caminhões compactadores, por exemplo, rodaram apenas 57,22% da quilometragem prevista: 96,1 mil quilômetros por mês, contra 167,9 mil. “O que gera sobrepreço desse OPEX”, registraram os auditores.

O contrato também previa a construção de uma Central de Tratamento de Resíduos (CTR), mas a obra foi paralisada após a nulidade do acordo. No Baixo Madeira, a EcoRondônia utilizou uma balsa antiga no lugar do catamarã previsto e substituiu três tratores agrícolas por quadriciclos de menor custo e capacidade.

Diferença entre valores

A comparação dos valores pagos mostra a diferença de gastos. De acordo com o TCE-RO, o município desembolsava cerca de R$ 5,8 milhões por mês para a EcoRondônia, enquanto uma contratação emergencial para o mesmo serviço poderia custar R$ 3,2 milhões. “O referido montante, por si só, demonstra que a viciada licitação […] não elegeu a proposta de melhor relação de custo-benefício para a municipalidade”, afirma o relatório.

A diferença representa R$ 2,6 milhões a mais por mês e um impacto potencial de R$ 31,4 milhões por ano. Para o tribunal, esse valor poderia ser direcionado a áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura, sem comprometer a política de resíduos sólidos da capital.

O TCE ainda destacou que a concessionária dificultou a fiscalização ao não disponibilizar as planilhas financeiras em formato editável. “O esforço empreendido para a reconstrução da citada planilha consumiu-se 60 dias de trabalho não previstos no planejamento inicial da auditoria”, apontou o órgão.

O tribunal também determinou que os pagamentos à EcoRondônia sejam limitados ao valor de contratos emergenciais e reforçou a obrigação da empresa de realizar os investimentos previstos no contrato para evitar novos danos à gestão municipal.

Veja o documento:

Saiba mais:

MP denuncia 34 investigados por ataques da facção Comando Vermelho em Rondônia

Acesse o nosso perfil no Instagram 

spot_img

Últimos Artigos

Lula diz que filhos de Bolsonaro e parlamentares ficaram ricos após amizade com Daniel Vorcaro

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta terça-feira (2)...

Servidor do HGR é preso por cobrar R$ 600 por exames de ressonância magnética do SUS

Um técnico em radiologia do Hospital Geral de Roraima (HGR) foi preso em flagrante...

PF deflagra operação contra esquema de contrabando de mercúrio usado em garimpo ilegal no Amazonas

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (2), a Operação Azougue, com o...

Mais como este

Lula diz que filhos de Bolsonaro e parlamentares ficaram ricos após amizade com Daniel Vorcaro

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta terça-feira (2)...

Servidor do HGR é preso por cobrar R$ 600 por exames de ressonância magnética do SUS

Um técnico em radiologia do Hospital Geral de Roraima (HGR) foi preso em flagrante...