Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para renovar parte do Congresso e escolher governadores em 36 estados. A votação ocorre durante o segundo mandato de Donald Trump e pode modificar a atual maioria republicana no Legislativo, responsável pela análise das propostas encaminhadas pelo governo.
A disputa envolve aproximadamente 210 milhões de pessoas aptas a votar. Serão escolhidos os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de 35 vagas do Senado, além de autoridades estaduais e municipais.
O Partido Republicano possui atualmente maioria nas duas casas do Congresso. Na Câmara, a vantagem é reduzida, enquanto o Senado conta com 53 republicanos, 45 democratas e dois parlamentares independentes.
A composição resultante das urnas determinará as condições de negociação política entre a Casa Branca e o Legislativo. Caso os democratas assumam o comando de uma das casas, poderão ampliar a fiscalização sobre o governo e dificultar a tramitação de medidas defendidas pelo presidente.
Democratas aparecem à frente nas pesquisas
Os levantamentos eleitorais divulgados antes da votação mostram vantagem do Partido Democrata. Dados reunidos pelo RealClearPolling indicavam, no último fim de semana, 51,5% das intenções de voto para os democratas, diante de 43,1% para os republicanos.
A disputa pela Câmara dos Representantes recebe atenção especial devido à pequena diferença entre as bancadas. Estados como Texas, Ohio e Iowa aparecem entre aqueles acompanhados pelas pesquisas por possíveis mudanças no comportamento do eleitorado.
Trump, que não participa da eleição como candidato, esteve presente na campanha de seu partido. Durante os eventos políticos, incentivou os apoiadores a votarem nos republicanos e apresentou a promessa de distribuir US$ 5 mil aos cidadãos adultos caso a legenda vença.
O presidente também anunciou uma recompensa de US$ 1 milhão por denúncias de fraudes eleitorais. Diante da possibilidade de enfrentar um Congresso controlado pela oposição, declarou à emissora Fox News que pretende utilizar o poder de veto presidencial.
Custo de vida está entre as preocupações dos eleitores
Questões econômicas ganharam espaço na campanha eleitoral, especialmente os gastos das famílias com moradia, combustíveis e atendimento médico.
A imigração, os direitos reprodutivos e a situação da democracia norte-americana também aparecem entre os assuntos discutidos pelos candidatos.
No cenário internacional, a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã integra os debates. Outro tema é a expansão da inteligência artificial, principalmente seus efeitos sobre os empregos, o consumo de energia e a segurança.
Votação antecipada ultrapassou 50 milhões de eleitores
Antes da abertura das urnas nesta terça-feira, mais de 50 milhões de norte-americanos já haviam participado da eleição por meio das modalidades de votação antecipada.
O número, divulgado pelo Election Lab, da Universidade da Flórida, supera em aproximadamente 10 milhões o total registrado no mesmo período das eleições legislativas de 2022.
Donald Trump está entre os eleitores que anteciparam o voto. O presidente compareceu às urnas na Flórida em 24 de outubro.
O Vaticano também comunicou a participação do papa Leão XIV, nascido em Chicago, que votou por correspondência. Conforme as informações divulgadas, não havia registro anterior de um pontífice participando de eleições nos Estados Unidos.
Historicamente, as eleições legislativas de meio de mandato apresentam comparecimento inferior ao das eleições presidenciais. Desde 1944, a participação média registrada nessas disputas é de 42%, enquanto nas eleições para presidente chega a 58%.
Os candidatos eleitos assumirão seus mandatos em 3 de janeiro de 2027. A nova composição do Congresso atuará durante a segunda metade do atual mandato presidencial de Donald Trump

