Eleita vereadora de Belém com 8.330 votos nas eleições municipais de 2024, Patrícia Queiroz (PP) é alvo de uma petição pública que pede a cassação de seu mandato e já ultrapassa 55 mil assinaturas, mais de seis vezes a votação que garantiu sua eleição.
A mobilização contra a parlamentar bolsonarista começou após ela compartilhar uma publicação que sugeria a demissão de trabalhadores apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O abaixo-assinado será entregue à Câmara Municipal nesta quarta-feira (4), às 9h, durante um ato em frente à sede do Legislativo.
A campanha foi organizada pela ex-vereadora Gizelle Freitas (PSOL), que pretende solicitar ao Conselho de Ética da Casa a apuração da conduta da parlamentar. A convocação para a entrega do documento foi divulgada nas redes sociais.
Até a manhã desta terça-feira (3), a plataforma Change.org contabilizava 55.272 apoios verificados. A quantidade corresponde a mais de seis vezes o total de votos obtidos por Patrícia nas eleições de 2024. Na ocasião, a vereadora foi eleita com 8.330 votos.
Compartilhamento de publicação provocou reação
O pedido de cassação surgiu depois que Patrícia Queiroz divulgou, em 26 de outubro, uma mensagem que sugeria a empresários acompanhar as publicações de empregados nas redes sociais para identificar manifestações favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O texto compartilhado apresentava a possibilidade de desligamento desses profissionais em razão do posicionamento político. A publicação original era de Victor Ruiz (PP), que disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo, mas não foi eleito.
O episódio passou a ser analisado pelo Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT-PA/AP), que instaurou procedimento para verificar possível prática de discriminação política nas relações de trabalho.
Na sequência, o órgão apresentou uma ação civil pública contra a vereadora, requerendo o pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos e a divulgação de uma retratação.
A Justiça do Trabalho determinou a publicação de uma manifestação sobre o caso, medida posteriormente cumprida pela parlamentar.
Conselho de Ética será acionado
A iniciativa coordenada por Gizelle Freitas busca levar o caso à análise da Câmara Municipal de Belém. Os organizadores solicitam a investigação da conduta da vereadora e a avaliação das medidas disciplinares previstas para o exercício do mandato parlamentar.
O abaixo-assinado também apresenta reivindicações relacionadas à proteção dos trabalhadores contra tratamentos discriminatórios motivados por preferências políticas.
A entrega está marcada para as 9h desta quarta-feira (4), com a participação de apoiadores convocados pelas redes sociais.
O protocolo da petição não representa a cassação automática do mandato. Caberá à Câmara Municipal avaliar o documento e decidir sobre os procedimentos a serem adotados.

