A Polícia Federal (PF), com participação da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta terça-feira (15) a Operação Sonar para investigar um suposto esquema criminoso envolvendo desvio de recursos públicos, cobrança de vantagens indevidas de fornecedores, direcionamento de contratações e lavagem de dinheiro em uma empresa pública federal sediada em Belém, no Pará.
Durante a operação, um dos investigados foi preso em flagrante após ser encontrado com mais de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo. Segundo a PF, ele não conseguiu comprovar a origem lícita da quantia e foi autuado por lavagem de dinheiro, na modalidade de ocultação de valores.
Os agentes também apreenderam joias e veículos de luxo. A investigação deverá verificar se os bens são compatíveis com os rendimentos declarados pelos investigados. Documentos, computadores e outras mídias de armazenamento também foram recolhidos e serão submetidos à perícia.
Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará. As ordens judiciais atingem endereços residenciais, empresariais e institucionais.
12 servidores afastados
A Justiça também determinou o afastamento de 12 servidores de suas funções públicas. Eles estão proibidos de acessar as dependências e os sistemas da empresa investigada, além de manter contato entre si e com fornecedores.
Outra medida determinada foi o bloqueio de R$ 17 milhões em patrimônio, com o objetivo de garantir a recuperação de ativos e eventual reparação dos prejuízos causados aos cofres públicos.
Os sigilos bancário e fiscal de 35 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas, também foram afastados. Contratos e cessões de uso relacionados às empresas sob suspeita foram suspensos.
PF apura cobrança de comissão para liberar pagamentos
Entre as suspeitas investigadas está um esquema de retenção de pagamentos de fornecedores.
De acordo com a PF, há indícios de que faturas referentes a serviços comprovadamente executados eram retidas e que seria exigido o pagamento de comissão em dinheiro para que os valores devidos fossem liberados.
A investigação também identificou indícios de direcionamento de contratações. Conforme a apuração, situações emergenciais teriam sido criadas artificialmente para permitir a contratação de empresas previamente escolhidas.
Os investigadores apuram ainda se recursos provenientes dos crimes foram ocultados ou dissimulados por meio de empresas sem estrutura operacional e de pessoas utilizadas como intermediárias.
Investigação envolve sete tipos de crimes
Os fatos são investigados, em tese, pelos crimes de organização criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, crimes relacionados a licitações e contratos administrativos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Os mais de R$ 1,2 milhão em espécie, além dos veículos, joias e demais bens apreendidos durante a Operação Sonar, permanecem à disposição da Justiça Federal.

